247 – O presidente Lula (PT) subiu dois pontos percentuais em cinco dias e alcançou 49% das intenções de voto em votos válidos para o segundo turno das eleições, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) oscilou dois pontos para baixo e registra 51%, aponta pesquisa do instituto PoderData/Aya divulgada nesta terça-feira (13). Com uma margem de erro de 1,8 ponto percentual para mais ou para menos, os dois candidatos aparecem tecnicamente empatados na corrida do segundo turno, segundo dados divulgados pelo portal Poder360.
A mudança no cenário eleitoral ocorre após o levantamento anterior, no qual a diferença entre os concorrentes era de seis pontos percentuais em favor do parlamentar do PL (53% a 47%). A pesquisa atual foi realizada entre os dias 10 e 12 de outubro e reflete o ritmo da campanha a menos de duas semanas da votação. No primeiro turno, Flávio obteve 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula, resultando em uma vantagem de 1,87 ponto percentual no pleito inicial.
A reação do presidente ocorre após movimentos de mobilização política e engajamento digital. Para reverter o quadro desfavorável deixado pela primeira etapa da eleição, a campanha de Lula acionou uma força de mobilização composta por novos parlamentares eleitos e apoio de artistas nas redes sociais. O movimento incluiu o fortalecimento de conteúdos nas plataformas digitais e manifestações nas ruas, como os atos ocorridos no domingo (11) e na segunda-feira (12) em São Paulo, na Avenida Paulista, focados na defesa da soberania nacional e da democracia.
Apesar da recuperação de Lula na intenção de votos válidos, os índices de rejeição permaneceram estáveis. A parcela do eleitorado que afirma não votar no atual presidente “de jeito nenhum” mantiveram-se em 46%. Por outro lado, a rejeição a Flávio Bolsonaro apresentou variação de um ponto percentual, passando de 43% para 44%.
Nos recortes demográficos e regionais, o presidente preserva vantagem expressiva no eleitorado feminino, registrando 53% da preferência contra 39% do senador do PL. Por sua vez, Flávio lidera no Centro-Oeste, onde alcança 55%, e na Região Sul, onde obtém 61%, além de manter a preferência entre eleitores que concluíram o ensino médio (52%).
A avaliação sobre o atual governo mantém-se majoritariamente crítica na amostragem geral. De acordo com o levantamento, 50% dos entrevistados desaprovam o desempenho de Lula à frente da Presidência da República, enquanto 44% aprovam e 6% não souberam responder. Os números de avaliação da administração federal espelham o mesmo resultado: 50% de desaprovação e 44% de aprovação.
O levantamento do PoderData/Aya entrevistou 3 mil pessoas por meio de ligações telefônicas fixas e móveis, abrangendo 686 municípios nas 27 unidades da Federação. A pesquisa possui intervalo de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01209/2026.
A decisão do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Kassio Nunes Marques, de censurar o canal “Exército do Lula” no WhatsApp se juntou a outras tomadas na campanha eleitoral alvo de críticas dentro e fora da corte.
Ministros de uma ala do TSE diziam extraoficialmente neste domingo (11) haver indícios de engajamento de Kassio na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Especialistas em direito eleitoral consultados pela reportagem também questionaram a postura do magistrado.
A decisão de Kassio ignorou o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, que já analisava o caso e havia, no dia anterior, dado prazo para as candidaturas se posicionarem. Horas depois, Cueva emitiu nova decisão e restabeleceu o canal de Lula.
Em junho, Kassio foi alvo de críticas por outra ordem de censura, quando proibiu a divulgação de uma pesquisa Atlas/Bloomberg que apontava queda de Flávio depois do caso “Dark Horse”, que expôs relação do presidenciável com o banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, pedindo dinheiro para financiar o filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
Além da decisão sobre o canal, três magistrados de ala oposta à de Kassio contabilizam pelo menos quatro ocasiões em que o presidente do TSE interrompeu — com pedidos de destaque, por exemplo — julgamentos virtuais com maioria já formada a favor de Lula (PT).
Esses ministros entendem ser uma manobra para que liminares contrárias à campanha do petista fiquem válidas por mais tempo. O grupo tem discutido sobre esse desconforto e avalia uma reação institucional. O presidente do TSE nega agir com parcialidade.
Com a censura ao canal “Exército do Lula”, a leitura de uma ala do TSE é a de que Kassio “atropelou” a decisão de Cueva, que relatou a auxiliares uma “quebra de confiança” dentro do TSE e horas depois determinou que o canal voltasse a funcionar. Segundo ele, a campanha de Flávio não apresentou provas suficientes para justificar a suspensão integral.
O corregedor e outros dois ministros entendem, segundo auxiliares, que Kassio “tratorou” a competência do corregedor-geral eleitoral para beneficiar Flávio. Eles classificam isso como abuso do poder de polícia do TSE.
Essa ala diz que, ao decidir em um processo administrativo, Kassio contorna a obrigatoriedade de levar o caso ao plenário do TSE, uma vez que as resoluções da corte só preveem essa necessidade em ações judiciais. O ministro, entretanto, sinalizou a um auxiliar que pretende submetê-la ao colegiado na próxima semana.
Kassio foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro (PL). Desde o início da corrida eleitoral a campanha do PT temia a atuação dele à frente do TSE.
Em relação aos julgamentos interrompidos, um deles diz respeito a vídeos em que Flávio ou seus apoiadores retratavam Lula como “defensor de bandidos”. O ministro André Mendonça rejeitou o pedido do presidente para a remoção do conteúdo, mas no plenário houve maioria a favor do petista.
Kassio, então, pediu destaque — ou seja, a suspensão do julgamento virtual para que o processo fosse decidido na sessão presencial do TSE. O mesmo roteiro se repetiu em outro caso semelhante, em que Lula pedia a exclusão de um perfil que o acusava de ser “amigo” de organizações criminosas.
A interlocutores o presidente do TSE negou agir em benefício de qualquer candidatura e disse que as críticas são tentativas de intimidação. Ele também afirma que suas deliberações seguem padrão decisório e que pede destaque quando entende que a jurisprudência da corte está sendo desrespeitada.
Um integrante da equipe de Kassio afirmou que os pedidos da campanha de Flávio têm funções distintas: a que está sob relatoria de Cueva busca a inelegibilidade de Lula, enquanto a conduzida pelo presidente do TSE foca a atuação das plataformas. Ponderou, porém, que haverá busca por uma atuação coordenada.
O advogado eleitoralista e professor da FGV (Fundação Getulio Vargas) Fernando Neisser disse que a derrubada do canal no WhatsApp é inconstitucional. Para ele, o processo teve atropelos e a decisão de Kassio poderia ser revertida no STF –ele falou à Folha antes de Cueva derrubá-la.
“É uma decisão muito perigosa e juridicamente equivocada. Na minha visão, configura censura prévia”, disse. O professor afirma que a campanha de Flávio “construiu um atalho absolutamente artificial” para que o assunto chegasse às mãos de Kassio.
“A decisão traz sérias dúvidas quanto à isenção do presidente para conduzir o processo eleitoral, especialmente vista ao lado de uma gestão da pauta do tribunal que tem sido, no mínimo, sujeita a críticas”, declarou Neisser.
Rodrigo Pedreira, advogado e membro fundador da Abradep (Academia Brasileira de Direito Público e Eleitoral), disse desconhecer um precedente que tenha impedido o funcionamento de um grupo de WhatsApp. “O WhatsApp, na minha visão, não é um terreno para limitação a priori, sob pena de caracterizar censura prévia.”
Também advogada e vice-presidente da Abradep, Anne Cabral afirmou que uma ação como a movida pela campanha de Flávio contra o canal de apoio a Lula é de competência privativa do corregedor. “O pedido de suspensão requerido à presidência do TSE não merce guarida”, declarou ela, também antes da nova decisão de Cueva.
A advogada afirmou que o procedimento em caso de desinformação é a remoção de conteúdo, não a remoção de um perfil. Ela mencionou que o WhatsApp, por se tratar de mensageria privada, pode ter tratamento diferente de outras redes sociais abertas, como Instagram e X. Mas, mesmo que o tratamento seja igual, a derrubada do canal deveria ser a última medida.
“Derrubar post, se o post tem indícios de desinformação, ele pode desequilibrar o pleito. Então a medida é a derrubada do post. Para derrubar o perfil, teria que ter uma conduta reiterada. Teria que ter uma instrução probatória que eu não vejo, do ponto de vista processual, como ter tido no processo que se deu diretamente ao ministro Nunes Marques”, declarou ela.
Outros casos com Kassio
Pesquisa Atlas/Intel
Decisão censura pesquisa Atlas/Intel que mostrou queda de 6% nas intenções de voto a Flávio após caso “Dark Horse”
“Dupla dos Escândalos”
Liminar para retirar do ar propaganda de Lula que classificaca Flávio e seu vice, Alfredo Gaspar, como “dupla dos escândalos”
Pedidos de destaque
Interrupção de julgamentos após maioria formada contra Lula, em casos de posts que associavam o petista à defesa do crime organizado
Janja
Ordem para derrubar post de Janja em que ela afirmava que Flávio iria “destruir” direitos trabalhistas e das mulheres
“Exército do Lula”
Censura a canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones
O senador fluminense Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente da República, entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra uma rede de 1.525 perfis do Instagram que apoiam o presidente Lula da Silva (PT).
Ele denuncia uma ação coordenada por meio de collabs, recurso do Instagram que permite que até seis contas compartilhem a autoria de uma mesma publicação.
A ação divide os perfis em três categorias: “perfis-polo”, “produtores do núcleo” e “perfis do grupo”.
Da lista, três perfis do Rio Grande do Norte entraram na mira do candidato bolsonarista: Silvério Filho (o “Raposinha”), Comitê de Luta RN e Luísa Ribeiro.
“Raposinha” e Luísa estão enquadrados como “perfis do grupo”. Já o Comitê de Luta RN está enquadrado como “produtores do núcleo”.
A ação divide a hierarquia pela quantidade de colaborações.
“Esse tipo de atitude demonstra, de modo inequívoco, que Flávio Bolsonaro, se for eleito presidente da República, vai iniciar um processo de censura contra veículos de comunicação contrários”, avalia Silvério Filho, o “Raposinha”.
Silvério também afirmou que essa atitude reflete o crescimento dos movimentos em favor de Lula nas redes sociais e nas ruas, o que está incomodando o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Há também um aspecto de desespero e de Flávio Bolsonaro partir para o tudo ou nada. Eu me sinto honrado em ter sido processado por Flávio Bolsonaro, porque isso demonstra que nós estamos no caminho certo, defendendo o Brasil, o povo brasileiro e a democracia”, frisou.
Luísa Ribeiro disse que ficou assustada e temerosa por uma caça às bruxas em um eventual Governo Flávio Bolsonaro: “Eu me senti muito acuada. Só que eu sou uma pessoa que não tenho tanto medo, mas eu tenho medo pelos meus. Os meus amigos todos foram nessa… censurados, estão tentando censurá-los. Então, assim, eu fico me perguntando como é que eles vão ser amparados judicialmente, porque eu tenho essa condição, pois o meu pai é advogado, minha irmã é advogada, e eu sou uma pessoa de natureza destemida. Porém, sim, é de se temer por causa das ações do então candidato Flávio Bolsonaro, que são de violência e truculência. A censura é uma violência, quando você quer cercear o direito de liberdade de um comunicador”.
O Blog do Barreto também procurou os administradores do Comitê de Luta para comentar o assunto, mas eles não responderam aos nossos contatos.
A senadora eleita Samanda Alves (PT) publicou neste domingo (11) um vídeo questionando a nova pesquisa do Instituto Seta, que aponta Allyson Bezerra 11,1 pontos percentuais à frente de Cadu de Lula. Samanda relembrou que pesquisas divulgadas antes do primeiro turno indicavam uma vantagem expressiva de Allyson, mas o resultado das urnas foi praticamente um empate: 36,94% para Allyson e 36,16% para Cadu, diferença de apenas 0,78 ponto percentual, ou 15.509 votos.
Samanda também citou a disputa pelo Senado. Em levantamento anterior do Seta, Zenaide Maia aparecia com 22,4% das intenções de voto, contra 11,7% de Samanda. Nas urnas, porém, Samanda conquistou a segunda vaga, enquanto Zenaide terminou em terceiro. Ao comentar o cenário para o segundo turno, a senadora eleita afirmou: “Minha gente, Cadu vai ser governador”.
247 – Contando já com vitória da extrema-direita, o extremista Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro, fez uma publicação nas redes sociais interpretada como uma ameaça de retaliação contra o embaixador do Brasil na Itália, Renato Mosca de Souza. Na mensagem, Figueiredo sugere que o diplomata seja transferido de Roma para Burkina Faso, país localizado na África Ocidental, e critica sua relação com personalidades e integrantes do Judiciário brasileiro.
A declaração repercutiu e foi encarada nas reses como uma ameaça indireta ao embaixador. A publicação associa a possível transferência a uma punição política em um eventual governo Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno das eleições presidenciais com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Na mensagem reproduzida pelo perfil, Figueiredo menciona nominalmente o diplomata e faz referência ao ator e humorista Fábio Porchat e aos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Este é Renato, a Mosca, atualmente é o embaixador do Brasil em Roma, Itália. Aquele que gosta do hospedar Fábio Porchat, Moraes e Barroso. Espero que ele goste de Burkina Faso – ouvi dizer que é… Pitoresco. E o Porchat que se acostume com os hotéis em Roma. Não são baratos.”
Figueiredo ficou conhecido após se tornar aliado central de Eduardo Bolsonaro nos EUA para promover junto à Casa Branca diversas sabotagens e ataques contra o Brasil.
Candidato do Republicanos recebeu 47.560 votos, foi o 9º mais votado da Paraíba e alcançou 193 municípios
O médico e ex-prefeito de São Bento por dois mandatos, Dr. Jarques Lúcio, foi eleito deputado estadual da Paraíba nas eleições deste domingo (4). Candidato pelo Republicanos, ele recebeu 47.560 votos, tornando-se o 9º candidato a deputado estadual mais votado no estado.
A votação de Dr. Jarques foi registrada em 193 municípios paraibanos, alcançando diferentes regiões do estado. O resultado garantiu ao candidato uma das cadeiras da Assembleia Legislativa da Paraíba para a próxima legislatura.
A eleição marca o primeiro mandato de Dr. Jarques Lúcio no Legislativo estadual. Antes de disputar a vaga de deputado, ele exerceu dois mandatos como prefeito de São Bento.
Enquanto era prefeito de Mossoró, a gestão Allyson Bezerra (União), hoje candidato a governador, não aplicou aos professores da rede municipal os percentuais de reajuste do piso nacional do magistério em 2023 e 2025. Nos dois anos, os índices definidos nacionalmente foram, respectivamente, de 14,95% e 6,27%, mas os percentuais não foram incorporados à remuneração da categoria.
A situação levou os professores a fazerem greve em 2023 e novamente em 2025, quando a categoria cobrava da Prefeitura tanto o reajuste de 2025 quanto a recomposição referente a 2023. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Mossoró (Sindiserpum) calculava, naquele momento, uma defasagem superior a 20% nos salários.
O histórico é relevante porque a gestão Allyson costumava apresentar o percentual acumulado de reajustes concedidos como demonstração de valorização do magistério. Em fevereiro de 2024, por exemplo, ao anunciar o reajuste de 3,62% daquele ano, aliados afirmavam que o aumento acumulado no governo chegava a 37,29%.
O número, porém, não corresponde à soma dos reajustes nacionais que deveriam ter sido aplicados no período. A própria Câmara Municipal registrou, em 2024, a divergência: enquanto a base governista destacava os 37,29% concedidos, a vereadora Marleide Cunha (PT) apontava que o acumulado deveria ser de 51,80%, considerando a ausência do reajuste de 14,95% de 2023.
2022: reajuste negociado abaixo do índice nacional
A primeira gestão de Allyson concedeu, em 2022, um reajuste escalonado aos professores: 10% em abril de 2022; 5% em julho de 2022; 5% em novembro de 2022 (20% para o ano); 3,1% em março de 2023; 3,1% em junho de 2023; 3,1% em julho de 2023 e 4,37% em novembro de 2023 — os percentuais somados de 2023 davam 13,67%.
A própria Prefeitura, em nota técnica publicada em março de 2023, afirmou que os reajustes de 20% em 2022 e 13,67% em 2023 haviam sido acordados com os professores e estavam sendo cumpridos.
Ano
Reajuste nacional do piso
O que ocorreu em Mossoró
2021
0%
Não houve reajuste nacional
2022
33,24%
Reajuste de 33,67%, mas escalonado até 2023
2023
14,95%
Não foi aplicado o percentual nacional
2024
3,62%
Aplicado 3,62%
2025
6,27%
Não foi aplicado o percentual nacional
2026
5,4%
Aplicado 5,4%
A diferença é que, em 2023, o piso nacional determinado pelo Ministério da Educação teve reajuste de 14,95%, passando para R$ 4.420,55. A gestão Allyson decidiu não conceder esse percentual adicional.
Em vez disso, a Prefeitura sustentou que o reajuste de 13,67% já previsto no acordo de 2022, somado aos demais mecanismos da carreira, fazia com que o vencimento dos professores municipais permanecesse acima do piso nacional.
Prefeitura diz que salário estava acima do piso
Em nota técnica publicada em março de 2023, a Prefeitura afirmou que o vencimento inicial dos professores de Mossoró, para 40 horas semanais, chegaria a R$ 5.338,87 em novembro daquele ano, enquanto o piso nacional era de R$ 4.420,55.
O município argumentou, por isso, que estaria cumprindo a legislação federal mesmo sem conceder os 14,95% reivindicados pelo sindicato.
A legislação federal estabelece que o piso nacional é o valor abaixo do qual União, estados e municípios não podem fixar o vencimento inicial da carreira do magistério público da educação básica para jornada de até 40 horas. O próprio Ministério da Educação afirma que o piso deve ser atualizado anualmente.
Assim, houve uma diferença entre estar com o vencimento inicial acima do piso nacional e aplicar o percentual de reajuste anunciado pelo MEC à carreira. Foi justamente essa diferença que esteve no centro da disputa entre Prefeitura e professores.
2023 terminou sem os 14,95%
Em 2023, o então prefeito não pagou o reajuste do piso salarial dos professores, cujo percentual era de 14,95%, alegando que o município já cumpria a lei do piso do Magistério. A ausência do reajuste de 2023 levou a uma greve da categoria, que durou mais de 50 dias. O movimento paredista só foi encerrado por força de liminar judicial, solicitada pela Prefeitura, sem que houvesse avanço nas negociações e sem que o executivo municipal apresentasse proposta para reajuste do piso da categoria.
Em 2024, no plenário da Câmara, a vereadora Marleide Cunha voltou a cobrar os 14,95% referentes a 2023 e afirmou que a gestão não poderia apresentar os 37,29% acumulados como se representassem todos os reajustes nacionais do período.
“E ainda diz que é o prefeito que mais valoriza os professores, o que é uma grande mentira. Primeiro que o piso é definido em portaria pelo Ministério da educação desde 2008 e que deve ser seguido pelos gestores públicos. Segundo que ele diz ter concedido reajuste de 37,29% nos últimos anos, mas que deveria ser 51,80%, porque ele não pagou o reajuste de 14,95% de 2023”, argumentou a parlamentar, na ocasião.
Em 2025, novo conflito
No ano seguinte, o MEC definiu em 6,27% o reajuste do piso nacional para 2025, elevando o valor para R$ 4.867,77 para jornada de 40 horas. A Prefeitura novamente não aplicou o percentual reivindicado pelos professores.
Em março de 2025, os profissionais da rede municipal entraram em greve. A pauta incluía justamente os 6,27% de 2025 e os 14,95% de 2023. A paralisação foi posteriormente encerrada após decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte que determinou o fim do movimento. Na ação, a gestão Allyson sustentou que já remunerava os professores acima do mínimo estabelecido pelo MEC.
A categoria, por outro lado, afirmava que havia um achatamento salarial superior a 20%, resultado justamente da ausência dos dois reajustes nacionais.
Em 2026, Prefeitura voltou a aplicar o índice
Em 2026, o piso nacional foi reajustado em 5,4%, para R$ 5.130,63. A Prefeitura de Mossoró também concedeu reajuste de 5,4% aos profissionais do magistério.
A Lei Complementar nº 237, sancionada por Allyson em 10 de março de 2026, estabeleceu o reajuste de 5,4% sobre o vencimento de cada classe e nível do plano de carreira municipal. A Câmara Municipal aprovou o projeto por unanimidade.
Mesmo com votações superiores às de candidatos eleitos, Ériko Jácome e Ubaldo Fernandes terminaram na suplência por causa das regras do sistema proporcional.
As eleições de 2026 no Rio Grande do Norte deixaram um resultado que chama a atenção na disputa pelas 24 cadeiras da Assembleia Legislativa. Ériko Jácome (PSDB) e Ubaldo Fernandes (PV) conquistaram mais votos que Adjuto Dias (PL) e Camila Araújo (PL), mas ficaram fora da lista dos eleitos.
Ériko Jácome obteve 45.883 votos, enquanto Ubaldo Fernandes conquistou 44.748 votos. Já Adjuto Dias garantiu o mandato com 37.874 votos, e Camila Araújo foi eleita com 31.438 votos.
Na prática, Ériko teve 14.445 votos a mais que Camila e 8.009 a mais que Adjuto. Ubaldo também superou os dois candidatos eleitos, mas não conseguiu renovar seu mandato.
A explicação está no quociente eleitoral e na distribuição das vagas entre partidos e federações. No sistema proporcional, não basta estar entre os candidatos mais votados do estado. É necessário que o partido ou a federação conquiste cadeiras suficientes para contemplar seus candidatos.
O PL conseguiu eleger sete deputados estaduais, beneficiando Adjuto Dias e Camila Araújo. Já as federações de Ériko Jácome e Ubaldo Fernandes não conquistaram vagas suficientes para garantir a eleição dos dois.
O resultado evidencia uma particularidade do sistema eleitoral brasileiro: candidatos com votações expressivas podem ficar sem mandato, enquanto outros, com menos votos, conseguem uma cadeira graças ao desempenho coletivo de suas legendas.
Ériko e Ubaldo saíram das urnas com mais votos que alguns eleitos, mas ficaram fora da Assembleia Legislativa em razão das regras do sistema proporcional
A orla de João Pessoa foi tomada por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (11), durante um ato pela reeleição do petista no segundo turno. A mobilização aconteceu no Busto de Tamandaré, entre Tambaú e Cabo Branco, e reuniu uma multidão que ocupou as vias da região com bandeiras, faixas e palavras de ordem.
O ato havia sido convocado para as 17h13, com o lema “João Pessoa é Lula! É 13!”, e integra a agenda de mobilizações organizadas por apoiadores do presidente em diferentes capitais do país. Entre as lideranças anunciadas para participar estavam o governador reeleito Lucas Ribeiro (PP), o senador eleito João Azevêdo (PSB), o senador reeleito Veneziano Vital do Rêgo (MDB), a presidente estadual do PT, Cida Ramos, além de parlamentares e dirigentes partidários.
A Associação Movimento Brasil Laico acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) contra o senador e candidato à Presidência da RepúblicaFlávio Bolsonaro (PL), o bispo Samuel Ferreira e a Igreja Evangélica Assembleia de Deus Ministério de Madureira por suposta propaganda eleitoral irregular durante um culto religioso realizado no sábado (10), no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro.
Na representação, a entidade pede a abertura de investigação e a adoção de medidas para impedir a repetição de atos semelhantes antes do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro.
A associação também solicita que o Ministério Público Eleitoral avalie o ajuizamento de uma ação que pode resultar na cassação do registro ou diploma de Flávio e na inelegibilidade dos responsáveis por oito anos.
O episódio ocorreu durante a celebração do centenário da Assembleia de Deus Ministério de Madureira. Segundo a representação, o bispo Samuel Ferreira conduziu os fiéis em um coro que repetiu 14 vezes a expressão “irmão vota em irmão”. Em seguida, o religioso afirmou que não poderia pedir votos durante a celebração, mas declarou que, se pudesse, faria campanha pelo candidato do PL.
“Se eu pudesse pedir voto, eu pediria. Mas eu não gosto de pedir voto aqui, porque vão falar que eu pedi voto. Mas, se eu pudesse, eu pediria. Pediria voto para o Flávio. Porque o Flávio é honesto. Pediria voto para o Flávio, porque o Flávio é sério”, disse o bispo.
Samuel Ferreira também justificou seu apoio afirmando que Flávio era “crente”, “cheio de Deus” e havia sido indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Na sequência, o senador foi chamado ao palco como “futuro presidente da República Federativa do Brasil”, enquanto parte do público gritava “É 22!”, em referência ao número eleitoral do PL.
Ao assumir o microfone, Flávio declarou: “O bispo não pediu, mas a igreja está pedindo.” O candidato também afirmou que enfrentava uma “guerra espiritual” durante a campanha e encerrou sua participação cantando o “Hino da Vitória” ao lado da cantora gospel Meire Cerqueira.
Douglas Ruas (PL), Flávio Bolsonaro (PL) e Silas Malafaia no Centenário da Assembleia de Deus. (Foto: Charles Vieira)
Entidade aponta tentativa de driblar legislação eleitoral
Para o Movimento Brasil Laico, as declarações do bispo configuram uma tentativa deliberada de contornar a proibição de propaganda eleitoral em espaços religiosos.
A associação sustenta que a expressão “se eu pudesse, pediria” representa um pedido de voto dissimulado, uma vez que o religioso mencionou repetidamente o nome do candidato e apresentou justificativas para apoiá-lo.
A representação também argumenta que a fala de Flávio Bolsonaro demonstra conhecimento da manifestação eleitoral realizada durante o culto.
Entre as possíveis irregularidades apontadas estão propaganda eleitoral em bem de uso comum, abuso de poder econômico, recebimento de benefícios de fonte vedada e realização de evento com características semelhantes às de um showmício.
A entidade cita a Lei das Eleições, que restringe a propaganda em templos religiosos e ginásios, mesmo quando são propriedades privadas. Também questiona a utilização do Maracanãzinho, equipamento público estadual, para a promoção de uma candidatura presidencial.
Flávio Bolsonaro (PL) no Centenário da Assembleia de Deus. (Foto: Charles Vieira)
Pedido de cassação e inelegibilidade
Além da investigação, o Movimento Brasil Laico pede que a Procuradoria-Geral Eleitoral solicite ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma medida urgente para impedir novos pedidos de voto, diretos ou simulados, em cultos e templos religiosos até o segundo turno.
A associação também requer a preservação das gravações e transmissões do evento, para evitar a perda de possíveis provas.
Caso sejam constatadas irregularidades, a entidade defende o ajuizamento de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), com pedido de cassação do registro ou diploma do candidato e declaração de inelegibilidade dos responsáveis pelo prazo de oito anos.
Outro pedido é o encaminhamento do caso à Receita Federal e aos órgãos fazendários para investigar eventual desvio de finalidade da estrutura religiosa, com possível suspensão da imunidade tributária da denominação, mediante procedimento próprio.
O Movimento Brasil Laico afirma que já apresentou denúncias anteriores envolvendo o uso de espaços religiosos para promoção de candidaturas e critica o arquivamento de casos semelhantes sem investigação.
O Território Livre conta quem é Valentina, a menina que, com um exemplar da Constituição nas mãos, protagonizou uma das imagens mais compartilhadas desde o ato Lula Presidente, no Alecrim, em Natal. Em poucas horas, a fotografia ultrapassou as fronteiras do Rio Grande do Norte e ganhou repercussão nacional.
Em conversa com o Território Livre, a jornalista, em Natal, Cecília Batalha, irmã de Valentina, contou como tudo aconteceu. A ideia de erguer a Constituição partiu de um senhor que passava pelo local. Ninguém imaginava que o gesto espontâneo ganharia tamanha repercussão.
“Somos todos bem engajados na minha casa. Meu pai é sociólogo formado. Minha mãe é uma das pessoas mais inteligentes que conheço, então todos crescemos entendendo nosso lugar no mundo, por quem precisamos lutar”, relatou Cecília. A família tem seis filhos, todos, segundo ela, conscientes de seu papel na sociedade.
A fotografia ganhou força também pelos detalhes: o olhar de Valentina, a Constituição nas mãos e a frase estampada na camisa, Spread Kindness — espalhe bondade. Uma combinação que tocou milhares de pessoas.
A imagem ganhou ainda mais significado diante de outra fotografia, feita dias antes em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, de um menino comemorando a vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno com uma arma nas mãos.
Duas crianças, dois símbolos e um contraste que provocou o debate nacional. De um lado, a arma; do outro, a Constituição. Imagens que evocam diferentes valores e ajudam a revelar as disputas presentes na sociedade brasileira.
Valentina não foi ao ato para se tornar um símbolo nacional. Estava acompanhada de uma irmã e de uma tia. A Constituição surgiu por iniciativa de um desconhecido, e a fotografia ganhou o mundo. O gesto simples encontrou um país disposto a enxergar naquela menina uma mensagem maior.
Às vezes, a história não precisa de grandes palanques. Basta uma menina, um livro nas mãos e uma frase na camisa: espalhe bondade.
O Candidato a governador do RN, Cadu de Lula, usou suas redes sociais para desmentir a imprensa amiga do candidato a governador apoiado por Robinson Faria no RN, Allysson Bezerra por estarem espalhando Feke News sobre escolha de nomes para ocupar cargos ou funções públicas de confiança em um eventual governo, o candidato afirmou que medidas judiciais serão adotadas contra todos que estão espalhando as mentiras , veja abaixo postagem :
É mentira que Cadu de Lula já esteja escolhendo secretários ou definindo cargos para um futuro governo.
Nosso foco agora é ampliar o apoio a Lula e Cadu de Lula, ouvindo o nosso povo e apresentando propostas para o Rio Grande do Norte.
Assim como no governo da professora Fátima, firmamos nosso compromisso com a valorização da categoria, ouvindo suas demandas e dando continuidade aos avanços conquistados.
A plataforma Meta – que controla Facebook, Instagram e Whatsapp – alegou que “problemas técnicos” foram responsáveis pela redução do alcance de postagens ligadas à campanha do candidato à presidência da república Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Ao mesmo tempo, a plataforma sediada nos Estados Unidos (EUA) afirma que são falsas as alegações da campanha de Lula que sustenta que a Meta estaria beneficiando as postagens do candidato Flávio Bolsonaro (PL) nas redes sociais.
A plataforma Meta alegou que “problemas técnicos” foram responsáveis pela redução do alcance de postagens ligadas à campanha de Lula – Foto: José Aldenir
“As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos”, diz nota da Meta.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de dados (ANPD) foram acionadas pela campanha do PT, que alega “fortes suspeitas de tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro”.
“A empresa alega que essa ‘falha’ afetou outros anunciantes e mercados, mas não trouxe qualquer evidência disso, muito menos de que esse problema tenha afetado também outros candidatos no Brasil. Mais uma vez, afirma a META, foi um ‘problema técnico’”, diz o comunicado da campanha.
O TSE deu prazo de 48 horas para a Meta explicar as acusações da campanha de Lula. Levantamento da Secretaria Nacional de Comunicação do PT aponta que a página do senador Flávio Bolsonaro tinha, em média, 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, mesmo tendo 17,2% de seguidores a menos.
“Procurada, a Meta reconheceu a falha e, outra vez, apontou ‘problemas técnicos’ como motivo”, diz a nota do PT, acrescentando que “essas ações interferem diretamente em avanços como o fim das BETs, da escala 6×1, além do chamado “tesouraço” contra programas sociais”.
Meta e Trump
Após o presidente dos Estados Unidos (EUA) Donald Trump assumir novo mandato na Casa Branca, em janeiro de 2025, o dono da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou que trabalharia ao lado do político republicano contra países ou governos que defendessem alguma regulação das redes sociais.
O uso ou manipulação de plataformas digitais para direcionar conteúdos e informações durante processos eleitorais tem sido alvo de processos judiciais e debates em todo o mundo.
Um dos casos mais famosos envolveu a empresa Cambridge Analytica, que colheu dados de dezenas de milhões de usuários do Facebook, para direcionar informação de campanha durante as eleições presidenciais dos EUA de 2016, quando Trump foi eleito a primeira vez, assim como a favor da campanha do Brexit, no Reino Unido.
Em março de 2018, o Facebook Inc., atual Meta, reconheceu “falhas” no sistema que permitiram a coleta em massa de informação usada pela Cambridge Analytica nas campanhas.
Em julho de 2019, a Meta (na época, ainda Facebook Inc), foi obrigada a pagar uma multa de US$ 5 bilhões imposta pela Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) dos EUA por supostamente “enganar” usuários sobre a capacidade de controlar a privacidade das informações.
O Rio Grande do Norte entrou na rota de uma missão cubana interessada em duas áreas que ganharam peso na transformação econômica da ilha: a expansão dos pequenos negócios privados e a transição energética. Representantes do governo de Cuba, de quatro províncias e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) passaram esta semana pelo Estado para conhecer experiências que vão de energia eólica e solar a turismo, inovação, artesanato e organização de empreendedores.
A visita integra a Segunda Missão Cuba–Brasil, realizada entre 4 e 11 de outubro, e tem no Sebrae-RN um dos principais pontos de interlocução. A comitiva começou a programação em Natal conhecendo a estrutura de atendimento aos pequenos negócios e seguiu para o Polo de Energias Renováveis, onde foram apresentadas iniciativas voltadas a financiamento, eficiência energética, inovação e competitividade no setor.
O interesse cubano aparece num momento em que o país amplia o espaço permitido para atividades econômicas fora do Estado. À frente da missão está Lázara Mercedes, presidente do Instituto Nacional de Actores Económicos No Estatales (Inaene), órgão criado para atuar justamente com o segmento privado e outras formas de atividade econômica não estatal. Segundo ela, Cuba busca referências que possam ajudar na formulação de políticas para inserir esses negócios nas estratégias de desenvolvimento de municípios e províncias.
A experiência potiguar chamou atenção também pela energia. O RN construiu nas últimas décadas uma cadeia ligada principalmente às fontes eólica e solar, que passou a envolver geração, serviços técnicos, fornecedores, pesquisa e empresas especializadas. Durante a missão, os cubanos visitaram o Instituto SENAI de Inovação, conheceram uma empresa integradora do setor e participaram de uma conversa com a Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER) sobre regulação, investimentos e articulação entre empresas e poder público.
O intercâmbio ultrapassa, porém, o setor energético. A programação foi desenhada para mostrar como atividades locais podem ser organizadas em torno de pequenos empreendimentos e ganhar mercado. Até sábado (10), a delegação deverá passar por Santa Cruz e Currais Novos, conhecer iniciativas de artesanato e turismo, visitar experiências ligadas ao Geoparque Seridó, instituições como IFRN e SENAI e projetos de inovação desenvolvidos no Estado.
A rota inclui ainda a Associação de Produtores de Ostras do Rio Grande do Norte (Aproostras), em Pipa, o Metrópole Parque, pequenos negócios ligados ao turismo e a Festa do Boi. A escolha de setores tão diferentes permite aos visitantes observar modelos em que desenvolvimento econômico está associado às características de cada território, em vez de uma única atividade produtiva aplicada a diferentes regiões.
Essa discussão tem peso particular para Cuba. A missão reúne representantes do Inaene, do Instituto Nacional de Pesquisas Econômicas, do Ministério da Economia e Planejamento e do PNUD em Cuba, além de diretores responsáveis pelo desenvolvimento territorial nas províncias de Holguín, Granma, Villa Clara e Pinar del Río. São justamente estruturas que lidam com a tentativa de ampliar atividades produtivas locais num país em que a economia permaneceu durante décadas fortemente concentrada no Estado.
Para o Sebrae, a presença cubana também abre uma frente de cooperação internacional a partir de experiências acumuladas no RN. João Hélio Cavalcanti, diretor técnico da instituição no Estado, citou energias renováveis, agronegócio, turismo e desenvolvimento territorial entre as áreas que podem gerar intercâmbio entre os dois países.
A visita termina no sábado com a elaboração de uma rota de trabalho e a previsão de assinatura de um Memorando de Entendimento. O documento deverá formalizar os próximos compromissos entre as instituições envolvidas e indicar quais experiências observadas no Rio Grande do Norte poderão seguir para uma etapa de cooperação com Cuba.