Os pré-candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) e Álvaro Dias (PL) afirmaram que, se eleitos, pretendem enfrentar o déficit da Previdência do Estado com foco em responsabilidade fiscal e reorganização das contas públicas. Nenhum dos dois, porém, apresenta medidas concretas para reverter o desequilíbrio estrutural do sistema.
O AGORA RN procurou os principais pré-candidatos ao governo para tratar sobre o tema após uma reportagem publicada na semana passada mostrar que o regime próprio de Previdência do Rio Grande do Norte fechou 2025 com um rombo de mais de R$ 2 bilhões. Dos três nomes que lideram a corrida no Estado, apenas Cadu Xavier (PT) não respondeu.
Allyson Bezerra (União) quer trazer experiência de Mossoró; Ex-prefeito Álvaro Dias (PL) celebra números do NatalPrev – Fotos: José Aldenir / Agora RN
Dados apresentados na prestação de contas do Governo do RN mostram que, em 2025, o sistema previdenciário estadual arrecadou R$ 3,537 bilhões, enquanto as despesas com aposentadorias e pensões alcançaram R$ 5,559 bilhões. A diferença — superior a R$ 2 bilhões — precisa ser coberta pelo Tesouro Estadual, reduzindo a capacidade de investimento em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Além do déficit financeiro, o modelo previdenciário enfrenta um problema estrutural: o número de aposentados e pensionistas cresce em ritmo superior ao de servidores ativos, o que pressiona o regime de repartição simples, no qual as contribuições atuais financiam os benefícios correntes.
Em sua resposta, Allyson Bezerra associou o enfrentamento do problema à experiência administrativa que ele teve como prefeito de Mossoró. Ele afirma que pretende aplicar no Estado uma estratégia semelhante à adotada no município.
“A partir de 2027, nós vamos enfrentar esse tema da responsabilidade fiscal, assim como fiz em Mossoró quando assumi a prefeitura. O município devia o 13º aos servidores, havia salários atrasados para terceirizados, consignados em atraso, o que impedia os servidores de fazer empréstimos, além de pendências com a previdência, um débito de R$ 233 milhões à época, e dívidas com o INSS e o Pasep”, declarou.
Segundo o ex-prefeito, a situação encontrada à época era de crise administrativa e financeira. “A prefeitura vivia, de fato, um caos, uma crise administrativa e financeira. Nós enfrentamos essa realidade e, hoje, Mossoró tem nota A na Capag. O governo do Estado é nota C, a capital também é nota C, enquanto Mossoró alcançou nota A. Isso demonstra responsabilidade fiscal, organização administrativa e equilíbrio financeiro”, afirmou.
Allyson também destacou a situação atual da previdência municipal como exemplo de gestão. “Hoje, a Previdência do município conta com um saldo superior a R$ 226 milhões no Previ Municipal. Essa é a experiência de quem organizou um ente público, tanto administrativa quanto financeiramente. E é assim que farei no Governo do Estado a partir de 2027. O cidadão do Rio Grande do Norte terá, de fato, um governo que se preocupa com a responsabilidade fiscal para garantir capacidade de investimento.”