
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (10), que o presidente norte-americano Donald Trump deve “começar a se preocupar” com o Brasil quanto à disputa de terras raras e minerais críticos.
A declaração aconteceu em um encontro com ministros e representantes do setor de mineração no Palácio do Planalto.
“Já faz um tempo que eu estou pedindo essa reunião, porque nós precisamos tomar uma decisão sobre o que o governo vai fazer com esse material estratégico“, explicou.
Na ocasião, Lula revelou planos de criar um conselho para o desenvolvimento tecnológico das terras raras e ainda destacou o interesse dos Estados Unidos e da China no assunto.
“Se o Trump está preocupado com a China, pode começar a se preocupar com o Brasil, que nós vamos ser detentores de fazer as mesmas coisas, ou mais qualificadas, que o chinês faz”, detalhou o presidente.
Falta direção estratégica, diz Lula
A discussão ocorre enquanto o governo tenta formular uma política nacional para minerais críticos, matérias-primas fundamentais para a transição energética global e para a fabricação de tecnologias avançadas.
O tema ganhou força após a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que cria um conselho vinculado à Presidência da República para definir prioridades, acompanhar projetos e estabelecer instrumentos de agregação de valor no setor.
Apesar do avanço brasileiro na temática, Lula avaliou que o País enfrenta um entrave estratégico para se tornar uma autoridade global, ao invés de falta de recursos ou capacidade científica.
Por fim, Lula defendeu a proposta de ampliar a participação na cadeia produtiva de minerais críticos e destacou que o País pode se tornar referência no assunto, sem depender de outras potências.
“Tudo o que é inovação as pessoas acham que tem que vir dos Estados Unidos, da América do Norte, que é uma ironia aqui no Brasil, a elite é muito americanizada, mas a agricultura depende do fertilizante russo e o comprador depende do povo chinês”, concluiu.
O que são terras raras?
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos formado por lantanídeos e dois metais de transição. Esse grupo, juntamente com os minerais críticos, é importante para a fabricação de itens de alta tecnologia, como veículos elétricos, turbinas eólicas e discos rígidos.
Esses elementos estão no centro das atenções da geopolítica mundial, pois são a fonte de energia ideal para diversos equipamentos exportados pelos Estados Unidos e China.
Com relação ao Brasil, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), estima que há em solo brasileiro a segunda maior concentração de terras raras, com 23%, ficando atrás apenas da China, com 49%. Os EUA possuem 2,1% das reservas.
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