Em um aceno ao eleitorado feminino na reta final do segundo turno, o candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu de Lula (PT) prometeu nesta segunda-feira 19 formar metade do secretariado com mulheres e implantar ensino em tempo integral em 100% das escolas. O petista associou as propostas ao enfrentamento da violência doméstica e à ampliação das condições para que as mulheres trabalhem e conquistem independência financeira.
“A gente vai combater os crimes contra a mulher com firmeza, dando autonomia para as mulheres”, afirmou, ao assumir o compromisso com a composição do primeiro escalão, que tem atualmente 18 secretarias. Segundo ele, a proteção às vítimas deve integrar uma política que reúna segurança pública, educação e oportunidades de trabalho.
Candidato do PT ao Governo do Estado destacou ações que pretende adotar em proteção às vítimas de violência — Foto: TV Ponta Negra/Reprodução
Cadu argumentou que a permanência dos estudantes por mais tempo nas escolas pode ajudar mães que precisam trabalhar e encontram dificuldades para conciliar a atividade profissional com o cuidado dos filhos. Na avaliação do candidato, a dependência financeira contribui para manter mulheres em ambientes de violência dentro da própria casa.
“O programa que nós temos na educação de 100% de escolas em tempo integral vai fazer com que as nossas mulheres tenham mais tempo para trabalhar”, declarou. Ele não detalhou o cronograma de implantação da proposta ou a estrutura necessária para universalizar o modelo.
O candidato também prometeu fortalecer a Patrulha Maria da Penha e ampliar o uso de tecnologia na segurança. Defendeu mais policiais nas ruas e anunciou a intenção de estender o videomonitoramento a todo o território estadual. “A gente vai levar essa política de videomonitoramento para os 167 municípios”, disse.
Equilíbrio fiscal e servidores
Na economia, Cadu reafirmou que pretende recuperar a capacidade de investimento do Estado sem aumentar impostos. Atualmente, o RN tem, proporcionalmente, o menor índice de investimento com recursos próprios entre os estados brasileiros. O petista apresentou como estratégia a combinação entre crescimento da atividade econômica, ampliação da arrecadação e controle da despesa de pessoal, preservando os direitos dos servidores.
“Nós não vamos aumentar imposto durante o nosso governo”, declarou. Segundo ele, a política salarial deve assegurar reajustes anuais pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e limitar o crescimento da folha a 80% do crescimento da receita. Essa regra está prevista na Lei Complementar Estadual nº 777/2025 e passará a valer integralmente a partir de 2027 — ou seja, já no próximo governo. “O Estado vai começar a gastar menos do que arrecada”, afirmou.
O petista defendeu que a trajetória de equilíbrio seja construída “sem retirar direitos e sem vilanizar professores, educadores, médicos e policiais militares”. Também reafirmou o compromisso com o pagamento dos salários. “O servidor vai ser respeitado, vai ser valorizado e vai receber em dia”, disse.
Questionado sobre o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) durante sua passagem pela administração estadual, argumentou que a medida buscou recompor receitas após mudanças na tributação dos combustíveis promovidas pelo governo Bolsonaro. Defendeu que a discussão ocorreu de forma transparente, com envio de projeto à Assembleia Legislativa.
Para os próximos anos, apontou mineração, energias renováveis, fruticultura e exploração de petróleo na margem equatorial como atividades capazes de impulsionar a economia. Disse que cabe ao governo oferecer infraestrutura, incentivos e agilidade nos procedimentos. Defendeu a expansão dos investimentos “desburocratizando o licenciamento ambiental sem abrir mão dos cuidados ambientais”.
Cadu também vinculou a recuperação econômica à parceria com o governo federal. Citou a duplicação da BR-304 e a construção do Porto Indústria Verde, em Caiçara do Norte, como projetos estratégicos. Na formação profissional, prometeu fortalecer a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e aproximá-la das oportunidades de emprego nesses setores.
Outro eixo apresentado foi a Previdência estadual. O candidato propôs aumentar a contribuição patronal dos Poderes e órgãos, citando Legislativo, Judiciário e Ministério Público, para ampliar as receitas do sistema. Também anunciou segregação de massas e criação de um fundo imobiliário como fonte de recursos. Embora questionado sobre prazo para ajustar as contas, não estabeleceu uma data.
Polarização e alianças
Na disputa política, Cadu reafirmou a aposta na associação de sua candidatura à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas disse que pretende dialogar também com eleitores que escolherão Flávio Bolsonaro (PL). “Eu sou o candidato do presidente Lula, eu voto em Lula, peço voto para Lula”, afirmou.
O petista acusou Allyson Bezerra (União Brasil), que se mantém neutro na disputa presidencial, de tentar esconder seu posicionamento político para atrair eleitores lulistas. Relacionou a aproximação do adversário com o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União), a uma postura bolsonarista. “Ele tem o direito de ter, ele só não tem o direito de enganar o eleitor”, declarou.
Ao mesmo tempo, afirmou que sua identificação política não impede a busca por votos em outros segmentos. “Claro que eu conto com eleitores que vão votar em Bolsonaro e votar em mim também”, disse. Defendeu que o eleitor compare trajetórias, propostas e compromissos dos dois candidatos.
Cadu também comentou o apoio do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB), anunciado no fim de semana, e destacou a importância das novas adesões. Apresentou a lealdade como fundamento das alianças e afirmou que a chegada de novos grupos é discutida com os parceiros anteriores. “Eu não largo a mão de ninguém para pegar em outra mão”, declarou.
Ao defender sua trajetória, destacou os sete anos e quatro meses em que participou da gestão estadual — inicialmente como secretário de Tributação e, depois, como secretário de Fazenda — e afirmou não ter enfrentado denúncias de escândalos por malversação de recursos públicos. “Tenho muito orgulho da minha trajetória. É uma trajetória de mãos limpas”, disse.
Saúde regionalizada
Na saúde, propôs a implantação do programa Saúde na Hora Certa, com consultas a especialistas por telemedicina, centrais regionais de diagnóstico e fortalecimento dos hospitais do interior para realizar cirurgias eletivas. A proposta, segundo ele, busca reduzir filas e permitir atendimento mais próximo da residência dos pacientes.
Cadu prometeu ainda ampliar o financiamento da área, afirmando que pretende elevar o investimento dos atuais 12% para uma faixa de 15% a 16% do orçamento estadual. “Nós vamos botar mais dinheiro na saúde”, declarou. Também citou a construção do Hospital Metropolitano como parte da estratégia para reduzir a sobrecarga do Hospital Walfredo Gurgel.