Senador Styvenson Valentim será candidato à reeleição pelo Podemos – Foto: Carlos Moura/Senado
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Styvenson foi questionado sobre uma possível contradição entre a indicação da irmã e o discurso adotado por ele em 2018, quando se elegeu criticando “oligarquias” e políticos que empregavam familiares. O senador reconheceu que pensava de maneira diferente naquele período. “Foi, no passado. Hoje já não é mais”, declarou.
Ao explicar a mudança, Styvenson afirmou que já considerou o nepotismo necessariamente nocivo, mas passou a entender que um vínculo familiar não deve impedir a participação de uma pessoa qualificada no setor público. “Uma vez eu pensei assim. Eu criticava mesmo a questão de algo que é nocivo, que hoje eu vejo que não é tanto, que é a questão do nepotismo”, afirmou.
O senador argumentou que competência e parentesco não são características incompatíveis. “Se você tiver uma pessoa na sua família que trabalhe bem, quer dizer que não pode ser empregada no setor público?”, questionou. Para ele, a discussão deve considerar a capacidade de quem ocupa a função, e não apenas a relação familiar com o titular do mandato.
Apesar de reconhecer que ainda não tomou a decisão, Styvenson indicou que a confiança pesa a favor da irmã. “É mais fácil a gente confiar em quem a gente conviveu a vida toda, em quem conhece a vida toda”, declarou. O senador informou que ela é mais velha e ressaltou a relação construída entre os dois. “Minha irmã é mais velha do que eu, me ensinou muita coisa, que também corrigi por várias vezes, como ela também me corrige por muitas vezes. Eu acho que pode ser um nome bom”, acrescentou.
A escolha da suplência também está relacionada aos próximos passos políticos de Styvenson. Durante a entrevista, ele admitiu que poderá concorrer ao Governo do Estado em 2030 e afirmou que precisaria ter segurança sobre quem assumiria sua cadeira no Senado durante uma eventual campanha ou afastamento.
“Pode ser”, respondeu sobre ser candidato em 2030. Em seguida, relacionou essa possibilidade ao cenário enfrentado nas eleições estaduais de 2022. “Em 2022, eu fui impedido de concorrer, porque eu não tinha segurança de concorrer com tranquilidade, sabendo que o meu suplente não era aquela pessoa que foi escolhida por mim, não era uma pessoa de confiança e credibilidade”, declarou.
Os atuais suplentes de Styvenson são o advogado Alisson Taveira e a coronel da Polícia Militar Margarida Brandão, nesta ordem.
Empresários na mira
Além da irmã, dois empresários estão entre as alternativas consideradas para a primeira suplência. Styvenson revelou que ambos procuraram seu gabinete e ofereceram recursos para a campanha em troca da vaga. Um deles seria um grande empresário do Espírito Santo. O outro atuaria no segmento de aviação e transporte aéreo. Os nomes não foram divulgados.
“Tem três nomes que estão aí. São dois empresários do Sul, um do Espírito Santo, um megaempresário, que apareceu no meu gabinete me oferecendo recurso para a campanha, e um outro também de aviação, de transportador de aviação, que também me ofereceu recurso para ter o voto”, afirmou.
De acordo com Styvenson, os empresários não estariam necessariamente interessados em exercer o mandato de senador, mas em utilizar a condição de suplente para ter acesso a espaços de poder em Brasília. “O que eles querem é o acesso. O acesso de um voto na suplência. Não para ocupar a cadeira, não para ser o senador da República, mas para destravar pautas dentro do Congresso e até os ministérios, utilizando do cargo de suplente de senador”, disse.
O parlamentar declarou que a definição de suplentes nas eleições para o Senado costuma obedecer a critérios pragmáticos. Segundo ele, os partidos e candidatos normalmente procuram pessoas com capacidade de financiar a campanha ou de acrescentar votos à chapa.
“Se eu for pensar pragmaticamente, como político, na escolha de um suplente, o suplente tem que ter voto ou ele tem que ter dinheiro. Dinheiro para bancar a campanha, tem que ser um empresário muito rico, ou tem que ser alguém que desloque voto para o candidato”, explicou.
Styvenson criticou o fato de a confiabilidade, na avaliação dele, raramente ser considerada nesse processo. “Ninguém leva em consideração a confiabilidade de ter uma pessoa na cadeira que dê a tranquilidade de uma ausência de um senador, ou de quem ocupe aquela cadeira, para que ele possa partir para uma outra demanda”, afirmou.
O senador acrescentou que a participação de empresários no financiamento das campanhas ajuda a explicar a presença frequente deles nas suplências. “Se as pessoas não sabem como se escolhe suplente, a escolha é assim: ou se escolhe pelo pragmatismo político, ou voto, ou recurso, ou dinheiro. Normalmente são empresários que bancam a campanha de senador”, declarou.
O senador também declarou que espera escolher alguém capaz de preservar a linha política e administrativa construída por seu mandato. “Ainda não fiz essa escolha, mas eu quero uma pessoa que dê continuidade ao trabalho que eu já iniciei”, afirmou.
Senador mantém apoio a Flávio, mas cobra esclarecimentos sobre Vorcaro
Styvenson Valentim também reafirmou o apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, mas condicionou a manutenção dessa posição à apresentação de esclarecimentos sobre o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
O parlamentar cobrou a divulgação de contratos e informações que comprovem a versão apresentada pelo presidenciável. “Estou esperando ele sair das cordas, entendeu? Quando ele sair das cordas, mostrar os contratos, mostrar que ele está falando a verdade”, declarou Styvenson ao ser questionado se continuava disposto a votar em Flávio.
Em maio, o portal Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro recursos para a gravação de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O banqueiro está preso por denúncias de fraudes no sistema financeiro que teriam a participação de mandatários em Brasília. Questionado sobre a relação, o senador afirmou que a negociação era apenas comercial e que não envolvia contrapartida relacionada ao seu mandato.
Styvenson já havia manifestado publicamente apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas posteriormente fez críticas às explicações dadas por ele sobre Daniel Vorcaro. Durante a entrevista, Styvenson indicou que aguarda uma resposta mais consistente antes de reafirmar integralmente seu posicionamento eleitoral.
Styvenson argumentou que o eleitorado de centro-direita não aceita contradições ou suspeitas sem explicação. “O eleitor de centro-direita é diferente do de esquerda. O eleitor de centro-direita raciocina, pensa e não aceita muita coisa”, afirmou.
O parlamentar também voltou a se distanciar do bolsonarismo, apesar da preferência eleitoral por Flávio. “Eu não sou bolsonarista, já disse isso várias vezes. Mas também não concordo com quase tudo que a esquerda faz”, declarou.
Styvenson afirmou que sua atuação no Senado não é determinada por uma adesão automática a nenhum dos dois campos políticos. Como exemplo, disse que vota favoravelmente a propostas apresentadas pelo governo Lula quando considera que elas atendem aos interesses da população.
“Ajudo o presidente Lula em votações que eu sei que são benéficas para o povo”, afirmou. O senador, contudo, também fez críticas ao governo federal e sugeriu que a liberação de R$ 145 bilhões em benefícios pode ter finalidade eleitoral. “Se isso não for compra de votos, não sei o que é”, declarou.