Ordens de cima – O ministro Helton Yomura e o secretário Leonardo Arantes: cúpula sob suspeita (Edu Andrade/ASCOM/Ministério do Trabalho/.) Em setembro do ano passado, o então secretário executivo do Ministério do Trabalho, Antônio Correia de Almeida, pediu demissão. Aborrecido, disse ao então ministro, Ronaldo Nogueira, do PTB gaúcho, que estava saindo por não concordar com as irregularidades que estava acontecendo dentro e fora de alguns gabinetes da pasta. Segundo ele, havia casos grotescos de falsificação de assinatura, sumiço de relatórios de investigação, saques suspeitos e pagamentos ilegais. Cinco meses depois de entregar o seu cargo, Correia formalizou suas denúncias à Polícia Federal e contou a VEJA detalhes de como membros do PTB estão operando no Ministério do Trabalho. “Algumas vezes, o ministro se queixou para mim: ‘Devo lealdade ao Jovair (…) Porque você sabe: o Jovair me pede. Eu estou no cargo por indicação dele’. E ele mandou pagar uma das faturas da B2T”, diz o ex-número 2 do Ministério do Trabalho. Correia se refere ao deputado federal Jovair Arantes, líder do PTB na Câmara, e à empresa de tecnologia B2T, contratada pela pasta para identificar fraudes nos pedidos de seguro-desemprego. Essa licitação foi considerada suspeita pela Controladoria-Geral da União (CGU), que mandou suspender os pagamentos para a companhia. Correia também denunciou saques irregulares ocorridos no Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). “Isso passou por gente do Leonardo Arantes (sobrinho de Jovair)”, afirma o ex-secretário executivo.
O deputado Rogério Marinho (PSDB) está sendo investigado pelo Ministério Público Federal por ter, supostamente, cometido crimes de lavagem de dinheiro, falsidade eleitoral e corrupção passiva durante a campanha eleitoral para a prefeitura no ano de 2012.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, autorizou, após pedido da Procuradoria-Geral da República, a instauração do inquérito na última quarta-feira, 7. Em sua decisão, Mendes afirmou que existem “elementos suficientes para corroborar a suspeita”.
Desde a deflagração da Operação Manus, que prendeu o ex-deputado Henrique Alves, em junho de 2017, a Polícia Federal vinha reunindo indícios para incriminar Marinho. De acordo com o material probatório que dá embasamento ao pedido de inquérito, o deputado teria, durante sua campanha à prefeitura do Natal, feito um “caixa 2”.
Segundo apuração, Marinho teria declarado ter pago R$ 499 mil à uma empresa que prestou seus serviços de comunicação na época. Porém de acordo com os registros encontrados em investigação, o contrato valeria cerca de R$ 1,9 milhão. Pagamentos teriam sido feitos em espécie e através de cheques.
O Ministério Público, no pedido encaminhado ao ministro Gilmar Mendes, concluiu que se há indícios de que foram pagos à empresa o equivalente de “R$ 1.900.000,00 e só foi declarado o valor de R$ 499.000,00, há um passivo não informado ao órgão eleitoral de R$ 1.401.000,00”.
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