
Um sábio barbudo já disse certa vez que as classes dominantes tentam universalizar uma moral que apenas lhe beneficia. A ideia é institucionalizar uma agenda particular como se ela expressasse os interesses de todos.
Hoje, há um forte conflito distributivo em jogo. Diante da busca pela organização das contas públicas, vem o dilema – em que área deve ocorrer corte de recursos e quem vai pagar a conta?
Os jornais nacionais, nas mãos do mercado financeiro, tentam vender a tese de que o foco deve se centrar no equilíbrio via diminuição dos programas sociais, do benefício de prestação continuada, da desconstitucionalização de recursos destinados à saúde e à educação. Cobrança de impostos é narrada como acinte.



O governo Lula enfrenta seu momento mais crítico desde a posse. A combinação entre a sanha do grande capital e a submissão de setores do Congresso — personificada no presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) — ameaça desestabilizar não apenas a política econômica, mas o próprio contrato social que elegeu o presidente. Motta, investigado na Operação Outside por desvios de recursos públicos em sua cidade natal, Patos (PB), abandonou qualquer pretensão de neutralidade. Ao pautar com urgência o projeto que derruba a medida provisória do IOF, ele age como operador direto dos interesses financeiros que há décadas sequestram o orçamento nacional.







