29/08/2026
10:00

Agora RN

A Justiça Federal determinou, nesta sexta-feira 28, que o Governo do Rio Grande do Norte mantenha a construção da Cadeia Pública do Potengi, na Zona Norte de Natal, e dê continuidade imediata ao contrato assinado com a HB Engenharia Ltda. A decisão impede a gestão estadual de revogar, suspender ou paralisar a obra, como havia sido anunciado pela governadora Fátima Bezerra (PT) na quarta-feira 26, após protestos de moradores.

A ordem foi proferida pela juíza federal Moniky Mayara Costa Fonseca Dantas, da 5ª Vara Federal do Rio Grande do Norte, em uma ação civil pública que acompanha o sistema penitenciário estadual desde 2016. A magistrada acolheu um pedido de urgência apresentado pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), com adesão do Ministério Público Federal (MPF).

Cadeia Pública do Potengi, na Zona Norte de Natal
Justiça determinou a continuidade da obra de uma nova unidade prisional — José Aldenir/Agora RN

A decisão determina que o Estado dê “imediata e ininterrupta continuidade” à execução do Contrato nº 043/2026-SIN e à ordem de serviço emitida em 25 de agosto. O Governo também está proibido de adotar qualquer medida administrativa, orçamentária ou prática que provoque “sua revogação, suspensão, paralisação ou desvio de finalidade”.

Em caso de descumprimento, a Justiça prevê multa de R$ 100 mil e a possibilidade de bloqueio das verbas públicas necessárias à execução do contrato. A magistrada também ordenou a intimação pessoal e urgente do secretário estadual da Administração Penitenciária, Helton Edi Xavier, para o cumprimento da decisão.

A cadeia masculina foi projetada para receber 189 presos na Travessa Macaé, nº 2201, no bairro Potengi, onde funcionou anteriormente um Centro de Detenção Provisória (CDP). A licitação foi homologada em 20 de agosto, com proposta de R$ 7,13 milhões apresentada pela HB Engenharia. Segundo os dados orçamentários citados na decisão, o empreendimento dispõe de R$ 6,48 milhões em recursos federais e R$ 1,91 milhão em contrapartida estadual.

Ao analisar o caso, a juíza afirmou que a definição do local não foi uma decisão recente ou tomada exclusivamente pelo Governo. A construção da unidade no Potengi vinha sendo acompanhada pela Justiça desde uma audiência realizada em setembro de 2023, dentro de uma ação que busca obrigar o Estado a executar um plano de ampliação do sistema prisional.

“O local da obra não foi escolha unilateral e recente da Administração, mas fruto de pactuação processual estabilizada ao longo de quase três anos”, registrou a magistrada. Nesse período, foram acompanhadas a destinação do imóvel, a aprovação dos projetos pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), a licitação, a contratação da empresa e a emissão da ordem de serviço.

A juíza considerou que o anúncio de Fátima Bezerra rompeu uma solução construída durante anos entre o Estado, a União, o Ministério Público e o Judiciário. A revogação foi comunicada nas redes sociais sem aviso prévio às demais partes e ainda não havia sido formalizada no processo administrativo.

Para a magistrada, o anúncio constituiu um “evento surpresa, incompatível com o padrão de diálogo institucional” mantido durante a tramitação. A decisão acrescenta que não seria permitido ao Estado, depois de participar da escolha e executar os atos necessários à obra, “abandonar bruscamente o que ela própria propôs, indicou e executou”.

Outro fundamento foi a ausência de requisitos legais para cancelar uma licitação já homologada, com contrato assinado e ordem de serviço expedida. De acordo com a decisão, a legislação exige a comprovação de um fato superveniente e a manifestação prévia dos interessados, procedimentos que não teriam sido observados.

“O fundamento invocado carece de tecnicidade e deveria, se pertinente, ter sido enfrentado em momento anterior à própria indicação do local pelo Estado, não podendo justificar, em fase de execução contratual, a paralisação da obra”, afirmou a juíza.

 

Publicado por: Chico Gregorio

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