03/10/2026
09:26

Foto: Jornal de Fato

Os R$ 400 mil em espécie apreendidos pela Polícia Federal na quinta-feira (1º), em Mossoró, foram sacados de uma conta bancária da Repav Rosário Edificações e Pavimentação Ltda., empresa que tem entre seus sócios o candidato a deputado estadual Jorge do Rosário (PL). A informação consta nos documentos do inquérito instaurado pela PF para apurar, em tese, possíveis crimes de corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro.

Segundo a investigação, o saque de R$ 400 mil havia sido provisionado na conta da Repav e seria realizado por José Ferreira do Rosário Neto, irmão de Jorge e sócio minoritário da empresa. Policiais federais acompanharam a movimentação e abordaram José Ferreira após a retirada. Ele estava com duas sacolas contendo exatamente R$ 400 mil e dois aparelhos celulares, que também foram apreendidos.

Em nota divulgada após a repercussão do caso, a assessoria de Jorge do Rosário afirmou que o dinheiro não tinha relação com a campanha eleitoral e que seria destinado ao pagamento de obrigações comerciais e da folha de pessoal da Repav no fim do mês.

“O valor objeto da ocorrência destinava-se ao pagamento de obrigações comerciais e de folha de pessoal da empresa em final de mês, tratando-se de questão de natureza estritamente empresarial/privada”, afirmou a assessoria.

A nota sustenta ainda que Jorge do Rosário está afastado da administração cotidiana da empresa e que não teria participado da operação financeira. A assessoria também declarou que o candidato “não recebeu, não movimentou nem auferiu qualquer benefício” relacionado ao valor apreendido.

Os documentos da PF mostram que a investigação teve origem em comunicação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre uma movimentação considerada atípica. Em relatório anexado ao inquérito, Repav e Jorge Ricardo do Rosário aparecem entre os principais envolvidos apontados no relatório de inteligência financeira analisado pela polícia. O próprio documento ressalva que os valores totais apresentados nos relatórios financeiros não correspondem necessariamente a operações ilícitas, pois podem incluir a movimentação integral das contas analisadas.

A Polícia Federal também registrou que chamou a atenção dos investigadores a existência de outro saque de R$ 400 mil realizado às vésperas das eleições de 2022, período em que Jorge do Rosário também disputava uma vaga de deputado estadual. Segundo a representação apresentada à Justiça Eleitoral, esse episódio, somado ao valor elevado da retirada e à proximidade das eleições de 2026, motivou o aprofundamento da apuração.

No relatório financeiro anexado aos autos, José Ferreira aparece como responsável pelo saque de R$ 400 mil investigado. A documentação registra ainda comunicações anteriores envolvendo movimentações em espécie relacionadas à Repav e aos seus responsáveis.

A PF pediu à Justiça Eleitoral autorização para acessar os dados armazenados nos dois celulares apreendidos. De acordo com a representação, a análise poderá ajudar a identificar quem determinou e coordenou a retirada, qual seria a destinação do dinheiro e se existe ou não relação dos recursos com a campanha eleitoral.

Em comunicado oficial divulgado no dia da apreensão, a Polícia Federal informou que os R$ 400 mil estavam sob suspeita de possível utilização ilícita para favorecimento de campanha eleitoral, mas destacou que as diligências prosseguem para esclarecer os fatos e verificar eventual ocorrência de crimes eleitorais. Até o momento, portanto, trata-se de uma investigação em andamento, e a finalidade efetiva do dinheiro ainda é objeto de apuração. Serviços e Informações do Brasil

A assessoria de Jorge do Rosário afirmou confiar “no pleno e regular esclarecimento dos fatos pelos órgãos competentes”.

Publicado por: Chico Gregorio

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