
O Rio Grande do Norte entrou na rota de uma missão cubana interessada em duas áreas que ganharam peso na transformação econômica da ilha: a expansão dos pequenos negócios privados e a transição energética. Representantes do governo de Cuba, de quatro províncias e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) passaram esta semana pelo Estado para conhecer experiências que vão de energia eólica e solar a turismo, inovação, artesanato e organização de empreendedores.
A visita integra a Segunda Missão Cuba–Brasil, realizada entre 4 e 11 de outubro, e tem no Sebrae-RN um dos principais pontos de interlocução. A comitiva começou a programação em Natal conhecendo a estrutura de atendimento aos pequenos negócios e seguiu para o Polo de Energias Renováveis, onde foram apresentadas iniciativas voltadas a financiamento, eficiência energética, inovação e competitividade no setor.
O interesse cubano aparece num momento em que o país amplia o espaço permitido para atividades econômicas fora do Estado. À frente da missão está Lázara Mercedes, presidente do Instituto Nacional de Actores Económicos No Estatales (Inaene), órgão criado para atuar justamente com o segmento privado e outras formas de atividade econômica não estatal. Segundo ela, Cuba busca referências que possam ajudar na formulação de políticas para inserir esses negócios nas estratégias de desenvolvimento de municípios e províncias.
A experiência potiguar chamou atenção também pela energia. O RN construiu nas últimas décadas uma cadeia ligada principalmente às fontes eólica e solar, que passou a envolver geração, serviços técnicos, fornecedores, pesquisa e empresas especializadas. Durante a missão, os cubanos visitaram o Instituto SENAI de Inovação, conheceram uma empresa integradora do setor e participaram de uma conversa com a Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER) sobre regulação, investimentos e articulação entre empresas e poder público.
O intercâmbio ultrapassa, porém, o setor energético. A programação foi desenhada para mostrar como atividades locais podem ser organizadas em torno de pequenos empreendimentos e ganhar mercado. Até sábado (10), a delegação deverá passar por Santa Cruz e Currais Novos, conhecer iniciativas de artesanato e turismo, visitar experiências ligadas ao Geoparque Seridó, instituições como IFRN e SENAI e projetos de inovação desenvolvidos no Estado.
A rota inclui ainda a Associação de Produtores de Ostras do Rio Grande do Norte (Aproostras), em Pipa, o Metrópole Parque, pequenos negócios ligados ao turismo e a Festa do Boi. A escolha de setores tão diferentes permite aos visitantes observar modelos em que desenvolvimento econômico está associado às características de cada território, em vez de uma única atividade produtiva aplicada a diferentes regiões.
Essa discussão tem peso particular para Cuba. A missão reúne representantes do Inaene, do Instituto Nacional de Pesquisas Econômicas, do Ministério da Economia e Planejamento e do PNUD em Cuba, além de diretores responsáveis pelo desenvolvimento territorial nas províncias de Holguín, Granma, Villa Clara e Pinar del Río. São justamente estruturas que lidam com a tentativa de ampliar atividades produtivas locais num país em que a economia permaneceu durante décadas fortemente concentrada no Estado.
Para o Sebrae, a presença cubana também abre uma frente de cooperação internacional a partir de experiências acumuladas no RN. João Hélio Cavalcanti, diretor técnico da instituição no Estado, citou energias renováveis, agronegócio, turismo e desenvolvimento territorial entre as áreas que podem gerar intercâmbio entre os dois países.
A visita termina no sábado com a elaboração de uma rota de trabalho e a previsão de assinatura de um Memorando de Entendimento. O documento deverá formalizar os próximos compromissos entre as instituições envolvidas e indicar quais experiências observadas no Rio Grande do Norte poderão seguir para uma etapa de cooperação com Cuba.

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