18/10/2026
10:07

Foto Ilustrativa Blog Chico Gregorio

Neto Queiroz**

Chegamos à última semana da campanha do segundo turno no Rio Grande do Norte, com duas candidaturas envolvidas em uma das disputas mais acirradas dos últimos anos. Prever o resultado é difícil.

Durante boa parte do processo eleitoral, Allyson Bezerra apostou que a polarização nacional não teria influência significativa na escolha do eleitor potiguar. No primeiro turno, essa avaliação parecia fazer sentido. No segundo, porém, a disputa nacional ganhou força e passou a influenciar decisivamente a eleição estadual.

Agora, Allyson faz um grande esforço para convencer o eleitor lulista de que não é necessário votar no mesmo campo para presidente e governador. Mas esse argumento parece ter pouco efeito diante da transferência de eleitores lulistas que antes estavam com Allyson e agora se aproximam de Cadu de Lula.

Cadu, por sua vez, mergulhou de vez na estratégia do voto casado e se tornou o principal receptor do apoio a Lula. Não adotou apenas o nome do presidente na urna: incorporou também seus símbolos, como o chapéu e as cores. E se beneficia de uma disputa presidencial apertada, que acirrou as paixões e levou muitos eleitores a escolher um lado para torcer.

Se a eleição nacional estivesse mais tranquila, talvez a nacionalização da disputa no Rio Grande do Norte não tivesse produzido um efeito tão forte. Mas a corrida voto a voto pela Presidência estimula o eleitor a se posicionar. Nesse cenário, Cadu tem uma vantagem: está identificado com um dos lados da disputa nacional, justamente aquele que reúne a maioria dos eleitores potiguares.

O principal problema para Allyson é que, em uma eleição tão polarizada, ele não tem uma identificação clara com nenhuma das duas forças nacionais. Recebeu o apoio de eleitores que não se reconhecem plenamente em nenhum dos lados, mas esse grupo não carrega o mesmo envolvimento emocional e, além disso, representa uma parcela menor do eleitorado.

Esse quadro, porém, não significa que a eleição esteja definida. Allyson reúne seus votos próprios, os votos que vieram de Álvaro Dias e ainda uma parcela do eleitorado lulista. Cadu, por sua vez, amplia sua presença entre os eleitores de Lula. A disputa continua acirrada.

A combinação entre a polarização nacional e o equilíbrio da disputa estadual tornou o resultado imprevisível. Nesta reta final, há um viés de alta para Cadu, impulsionado também pelo cenário nacional. É uma vantagem importante, mas será suficiente para vencer?

Publicado por: Chico Gregorio

0 Comentários

Deixe o seu comentário!