Por Alexandre Lima*
Há uma pergunta que o Rio Grande do Norte precisa responder, e ela não cabe em um mandato: o que queremos ser daqui a trinta ou cinquenta anos?
Por tempo demais, a economia potiguar reproduziu um padrão de origem colonial. Exportamos bem primário e importamos bem industrializado. O sal sai bruto e volta incorporado a produtos químicos fabricados em outros estados. A fruta segue fresca e o processamento acontece longe daqui. O minério do Seridó parte em caminhão e o aço é feito adiante. Em cada uma dessas cadeias, ficamos com a parte de menor valor, de menor emprego qualificado e de menor arrecadação. Vendemos matéria-prima e compramos de volta o que ela virou.
A experiência mundial é clara a esse respeito, e não há nisso novidade nem controvérsia: nenhum território se desenvolveu de forma duradoura exportando apenas commodities. O caminho para melhores salários, para emprego estável e para arrecadação capaz de financiar saúde e educação passa pela industrialização. Indústria paga mais porque exige mais qualificação, encadeia fornecedores, fixa serviços técnicos e cria uma teia produtiva que a extração pura jamais gera. Onde há indústria de transformação, há classe média. Onde há apenas extração, há enclave — riqueza que passa pelo território sem nele se enraizar.


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