Foto ilustrativa/Reprodução
A produção industrial do Rio Grande do Norte acumulou queda de 13,1% no primeiro semestre de 2026, o pior resultado entre os locais pesquisados pelo IBGE, enquanto a indústria brasileira avançou no mesmo período. O número ganha significado político quando confrontado com as promessas feitas durante a privatização dos ativos da Petrobras no estado. A venda do Polo Potiguar, incluindo a Refinaria Clara Camarão, foi defendida durante o governo Jair Bolsonaro sob o argumento de que a iniciativa privada ampliaria investimentos, produção e empregos. O salto prometido, porém, não aparece no desempenho atual da indústria potiguar.
A situação ajuda a colocar em xeque um dos principais argumentos utilizados pelo bolsonarismo e seus aliados no RN para justificar a saída da Petrobras do estado. A privatização foi apresentada como oportunidade para dinamizar a cadeia de petróleo e gás e atrair novos recursos. Três anos depois da conclusão da venda, o RN chega ao primeiro semestre de 2026 com a maior retração industrial do país, tendo o desempenho das atividades relacionadas ao petróleo entre os componentes relevantes desse resultado. Não é correto atribuir toda a queda de 13,1% exclusivamente à privatização, mas os números tornam difícil sustentar que a venda dos ativos tenha produzido o ciclo de expansão industrial e investimentos anunciado por seus defensores.
Também ficou distante da realidade a narrativa de que a privatização produziria automaticamente combustível mais barato e mais empregos para os potiguares. O que deveria representar uma nova etapa de expansão da atividade petrolífera convive agora com indicadores industriais negativos e com preços na bomba que não experimentaram a redução estrutural prometida. O contraste é politicamente evidente: vendeu-se a saída da Petrobras como caminho para mais investimentos, empregos, produção e combustível barato; o RN chega a 2026 com a maior queda industrial do Brasil e sem o salto econômico que justificaria aquelas promessas.
O Potiguar***


0 Comentários