09/08/2026
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Lula e Geraldo Alckmin

247 – O plano de governo apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice-presidente Geraldo Alckmin neste fim de semana tem uma virtude política importante: procura combinar objetivos que muitas vezes são artificialmente apresentados como incompatíveis no debate brasileiro. Crescimento econômico, responsabilidade fiscal, redução das desigualdades, investimento público, fortalecimento industrial e soberania nacional aparecem como partes de uma mesma estratégia.

É uma concepção que merece atenção sobretudo porque o Brasil entra em mais um ciclo eleitoral diante de um cenário internacional instável. A disputa tecnológica se intensificou, o protecionismo voltou ao centro da política econômica das grandes potências e a administração de Donald Trump tornou ainda mais explícita a defesa dos interesses nacionais dos Estados Unidos. Nesse ambiente, imaginar que o Brasil possa prescindir de uma estratégia própria de desenvolvimento seria uma imprudência.

O documento de 84 páginas apresentado pela chapa Lula-Alckmin procura responder a esse desafio com cinco pilares econômicos: crescimento e emprego, combate às desigualdades, controle da inflação, neoindustrialização e reinserção internacional do Brasil.

O ponto essencial é que desenvolvimento econômico e justiça social aparecem interligados. Não basta crescer se os frutos desse crescimento continuarem excessivamente concentrados. Da mesma maneira, políticas distributivas sustentáveis exigem uma economia capaz de produzir, investir, inovar, gerar empregos e elevar sua produtividade. É nesse equilíbrio que o programa será testado.

Responsabilidade fiscal sem abandonar o desenvolvimento

Há uma mensagem relevante no compromisso com a responsabilidade fiscal. O programa prevê uma redução do déficit primário de cerca de 2% do Produto Interno Bruto para aproximadamente 0,4% em 2026. A meta sinaliza que expansão do investimento e políticas sociais não estão sendo apresentadas como sinônimos de despreocupação com as contas públicas.

Essa distinção é importante. Responsabilidade fiscal deve ser instrumento para garantir estabilidade, capacidade de planejamento e financiamento sustentável do Estado. Quando convertida em finalidade absoluta, entretanto, pode sufocar investimentos essenciais ao próprio crescimento econômico.

O desafio de Lula e Alckmin será demonstrar que é possível preservar equilíbrio macroeconômico enquanto se ampliam investimentos públicos e privados em infraestrutura, inovação, indústria e serviços públicos. Essa combinação é particularmente importante para um país que precisa recuperar capacidade produtiva e acompanhar a transformação tecnológica mundial.

Publicado por: Chico Gregorio

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