02/08/2026
09:31

A parceria entre Brasil e China para a otimização da produção agrícola familiar em Apodi, interior do Rio Grande do Norte, se aproxima de dois anos com reduções de 45 a 90% nos custos de produção, economia de mão de obra de 50 a 95% e aumento de 14% na produtividade. As informações são do professor Vinícius Claudino, coordenador da Residência Tecnológica em Mecanização da Agricultura Familiar/Brasil-China, a primeira do gênero na América Latina.

Fruto de uma parceria entre a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), a Universidade Agrícola da China (CAU), a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar (Sedraf), Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), além do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), a iniciativa tem modernizado e fortalecido a produção agrícola familiar com apoio tecnológico.

“Esses ganhos de eficiência permitiram a diversificação dos sistemas agrícolas, a participação inclusiva de gênero e a melhoria da renda dos agricultores. O feedback dos agricultores destacou a alta satisfação com a eficiência de combustível e a facilidade de uso, embora ainda existam desafios, incluindo a distribuição uniforme das máquinas, a necessidade de melhorias ergonômicas para algumas máquinas e o engajamento limitado das partes interessadas”, conta o professor Vinícius Claudino.

Em novembro de 2024, Apodi recebeu 29 máquinas para serem testadas no Rio Grande do Norte por cerca de 150 famílias do Oeste, onde se concentra boa parte dos cerca de 50 mil empreendimentos agrícolas familiares do Estado. De lá para cá, também foram realizadas pesquisas junto aos agricultores familiares com resultados que demonstram, segundo Claudino, a importância da mecanização e da inovação na agricultura familiar no semiárido brasileiro, com ganhos econômicos e operacionais.

“Outros benefícios incluíram redução nos custos de capina, maior produtividade da forragem, diversificação do sistema e maior participação inclusiva de gênero. Os agricultores relataram alta satisfação com a eficiência de combustível e a usabilidade, embora ainda existam desafios em relação a melhorias ergonômicas, distribuição equitativa de máquinas e prática em outras instituições”, explica.

Otimização na produtividade

As reduções nos custos de produção, economia de mão de obra e aumento na produtividade permitiram, segundo Vinícius Claudino, a diversificação dos sistemas agrícolas, a participação inclusiva de gênero e a melhoria da renda dos agricultores.

“Em síntese pode-se observar que a tecnologia chinesa de mecanização agrícola, produtos e máquinas agrícolas, modelos de desenvolvimento e experiências, especialmente o modelo de serviços de máquinas agrícolas socializadas que levam ao desenvolvimento conjunto de pequenos agricultores, pode fornecer referências e lições para a agricultura familiar no Brasil, a fim de melhorar seu nível de mecanização agrícola, reduzir insumos de mão de obra, reduzir custos de produção, melhorar a eficiência da produção e alcançar maior produção de alimentos e renda, causando assim relevante impacto social e econômico na vida dos agricultores”, destaca o professor.

As máquinas recebidas continuam em teste, e algumas estão sendo testadas fora do estado do Rio Grande do Norte, sendo duas no Ceará, uma no Maranhão e uma na Paraíba.

De acordo com o coordenador da Residência, existe a possibilidade de novas máquinas serem testadas, inclusive com tecnologias mais modernas, como por exemplo drones e robôs para a automação da produção.

Agência Saiba Mais***

Publicado por: Chico Gregorio

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