
O presidente Lula costurou com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, um esforço concentrado para votar na próxima semana o fim da chamada “taxa das blusinhas”. A articulação prevê que a MP seja analisada pela comissão mista na terça-feira (1º) e votada pelos plenários da Câmara e do Senado até quinta-feira (3), antes de perder a validade.
Politicamente, o acordo é conveniente para todos. Lula ganha a possibilidade de apresentar ao eleitorado o fim de uma cobrança impopular; Motta e Alcolumbre mostram sintonia com o Palácio do Planalto e entregam uma pauta de apelo popular em pleno calendário eleitoral.
Há, porém, uma ironia na história: a “taxa das blusinhas” foi criada pelo próprio governo Lula e aprovada pelo Congresso em 2024. O imposto de importação de 20% passou a incidir sobre compras internacionais de até US$ 50. Depois, dez estados ainda elevaram o ICMS dessas compras para 20%.
Agora, o mesmo governo que ajudou a criar a cobrança articula sua retirada — e pode transformar o fim da taxa em um bom argumento de campanha.
Além das “blusinhas”, Lula, Motta e Alcolumbre também acertaram acelerar na próxima semana a votação de projetos sobre minerais críticos, fim da escala 6×1 e segurança pública.

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