29/07/2026
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Agora RN***

O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Allyson Bezerra (União) acusou o adversário Álvaro Dias (PL) de agir como um “coronel” e de tentar “amordaçá-lo” às vésperas do início oficial da campanha eleitoral. Em dois vídeos publicados no Instagram nesta terça-feira 28, Allyson acusou Álvaro de ligação direta com uma ação protocolada pelo Partido Novo que pede a derrubada de seu perfil na rede social.

A ação citada por Allyson não é movida diretamente por Álvaro Dias ou por seu partido, o PL. No entanto, o Novo, que assina a representação, integra a mesma coligação. Além disso, o escritório do advogado Erick Pereira, que formulou a petição inicial, também trabalha para Álvaro Dias.

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Ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra, candidato do União Brasil ao Governo; Ex-prefeito de Natal Álvaro Dias tem o Partido Novo como aliado no pleito – Fotos: TV Tropical/Reprodução // José Aldenir

Nas gravações, Allyson classificou o processo como “arbitrário” e “bizarro”, afirmou que o candidato do PL pretende calá-lo e disparou uma série de críticas pessoais e políticas contra Álvaro, a quem chamou de “truculento”, “mesquinho” e “antidemocrata”.

“Urgente, meu povo, porque estão querendo me calar”, anunciou Allyson no início do primeiro vídeo. Ao citar Álvaro diretamente, disparou: “Uma vergonha para você, que usou um partido seu, usou o seu advogado para entrar contra mim num processo como esse, totalmente arbitrário e agindo como coronel, de quem está querendo mandar acima de tudo”.

O Novo pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) que determine a retirada do ar do perfil oficial de Allyson no Instagram até 15 de agosto, véspera do início oficial da campanha eleitoral. Alternativamente, a legenda requer que sejam excluídas, no prazo de 24 horas, 16 publicações relacionadas ao evento político realizado no domingo 26, no Palácio dos Esportes, em Natal.

A representação sustenta que houve propaganda eleitoral antecipada e acusa Allyson de ter promovido dois eventos para oficializar uma mesma candidatura, além de supostamente se beneficiar de uma rede coordenada de páginas nas redes sociais.

Ao responder à ofensiva judicial, Allyson afirmou que o processo teria sido motivado pela repercussão alcançada pelas publicações sobre o evento. “Ele viu a quantidade de engajamento, de publicações, de visualizações, e está pedindo a retirada do meu perfil do ar até o dia 15 de agosto deste ano. É isso mesmo. Ele quer que o meu perfil deixe de existir”, declarou. Na sequência, reforçou a acusação em frases curtas: “Ele quer me calar. Ele quer me amordaçar”.

O candidato do União também associou a ação a uma tentativa de impedir a divulgação de suas viagens pelo interior do Estado — dentro do projeto 167 Razões, que tem visitado todos os municípios potiguares — e das manifestações de apoio recebidas durante as agendas.

“Ele (Álvaro) quer que eu pare de ir às cidades, mostrar as cidades. Ele quer também que as pessoas parem de aparecer na minha rede social. Ele quer também que as pessoas parem de declarar que estão me apoiando. Ele quer também que eu pare de fazer qualquer tipo de postagem”, afirmou.

Histórico de Álvaro

Ao longo dos vídeos, Allyson elevou o tom e partiu para ataques diretos ao perfil político e pessoal de Álvaro. “Candidato, você é conhecido por ser um truculento. Você é conhecido por ser um cara que age como um coronel, bate na mesa, humilha as pessoas”, disse. Em seguida, acrescentou que o adversário seria conhecido por “constranger” pessoas próximas e “humilhar algumas lideranças políticas”. “Você é conhecido pela forma mais mesquinha e nojenta de fazer política. Você representa o atraso da política do nosso Estado”, disparou.

“O candidato das obras inacabadas, o candidato que acabou com Ponta Negra, o candidato que entregou um hospital há quase dois anos e nunca funcionou de verdade, o candidato que deu um calote nos artistas de Natal entrou com ação na Justiça contra mim para retirar o meu perfil do Instagram do ar”, afirmou.

“Você está chateado porque viu que, na nossa convenção, no nosso grande evento, tinha gente feliz, alegre, que estava lá de forma espontânea. Ninguém foi pago, coagido ou obrigado a estar lá, não, candidato. As pessoas estavam lá porque quiseram estar”, declarou.

Para Allyson, a iniciativa judicial seria consequência do impacto político da convenção e de sua posição nas pesquisas eleitorais. “Você sabe de tudo isso e bateu o desespero. Bateu o desespero porque você não consegue sair do mesmo número nas pesquisas há meses. Você não consegue crescer”, provocou.

O candidato acrescentou que já percorreu 140 dos 167 municípios do Rio Grande do Norte e afirmou estar sendo bem recebido em todos eles. Segundo ele, os conteúdos publicados em suas redes sociais mostram propostas apresentadas para diferentes áreas e regiões do Estado. “Já tem mais de 90 vídeos de cidades por onde passei e que visitei. Em cada cidade tem ideia, tem proposta”, declarou, ao citar sugestões relacionadas ao turismo de praia e serrano, à mobilidade, à indústria, à educação e à agricultura.

“Em todas as cidades que estou visitando, tem depoimento popular, espontâneo, tem proposta, tem ideia. Pode olhar. Quem não conhece ainda, assista, um por um”, desafiou. A declaração responde também à acusação do Novo de que o candidato se beneficiaria de “astroturfing eleitoral”, prática definida na ação como a utilização coordenada de perfis aparentemente independentes para simular apoio espontâneo. A legenda cita cinco páginas que supostamente atuariam em conjunto com a conta oficial de Allyson.

Tentativa de censura

No segundo vídeo, o candidato voltou a classificar o processo como uma tentativa de censura. “Bizarro. O que está acontecendo é bizarro. Um candidato usa um partido aliado, usa o seu advogado pessoal para tentar nos calar por meio de uma ação judicial”, afirmou, enquanto exibia trechos do pedido apresentado ao TRE-RN. Para ele, a repercussão da convenção teria surpreendido adversários e até provocado confusão sobre o conteúdo da representação. “Tem algumas pessoas ainda tão impactadas, até parte da imprensa, que ainda não está acreditando”, disse.

Allyson argumentou ainda que a retirada de seu perfil representaria um ataque à liberdade de expressão e ao próprio regime democrático. “Quem defende esse tipo de mordaça, esse tipo de ação, não defende democracia. Democracia exige que as pessoas tenham liberdade de se expressar. Exige que as pessoas possam usar os canais de comunicação”, declarou. Em seguida, questionou: “Querer retirar da internet o perfil de uma candidatura legítima, aprovada em convenção por oito partidos, uma candidatura que está em primeiro lugar nas pesquisas, isso é legítimo? Isso é correto? Isso é democrático? Não”.

O candidato do União acusou Álvaro de tentar compensar com poder econômico, estrutura política e judicialização uma suposta falta de disposição para percorrer o Estado. “Você não tem coragem de fazer o que eu faço. Hoje acordei cedo e já estou na estrada, visitando cidades. Volto para Natal para reuniões. Você não tem coragem disso, candidato”, afirmou. “Você acha que o seu poder, o seu dinheiro, os seus milhões, a sua estrutura e a máquina que está usando à luz do dia vão fazer você governador do Estado? Não vão. Não vão, porque é o povo que decide.”

Publicado por: Chico Gregorio

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