29/06/2026
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Crédito da foto: ReproduçãoGovernadora Fátima Bezerra, presidente Lula e o pré-candidato Cadu Xavier

Por César Santos / Jornal de Fato

Desde que foi instituída a reeleição, a partir das eleições de 1998, que um candidato apoiado pelo governo que foi reeleito não consegue sucesso nas urnas do Rio Grande do Norte.

Para especialistas, governadores reeleitos enfrentam dificuldades para eleger sucessores porque o capital político é intransferível e a máquina administrativa perde eficiência ao fim de oito anos de mandato. Há também processo natural de desgaste, que leva o eleitor a rejeitar a continuidade do mesmo grupo político no poder.

No Rio Grande do Norte, há dois exemplos de governos vitoriosos que não conseguiram ter continuidade com sucessores.

O primeiro ocorreu na eleição de 2002, quando o candidato apoiado pelo governador Garibaldi Filho (PMDB, hoje MDB) fracassou nas urnas. Fernando Freire (PMDB), que era vice-governador e assumiu o governo para ser candidato à reeleição, foi derrotado por Wilma de Faria (PSB), que renunciou à Prefeitura de Natal para se eleger governadora.

Fernando Freire, que teve o médico e ex-deputado Laíre Rosado como vice, até conseguiu passar para o segundo turno, deixando para trás o ex-senador Fernando Bezerra (PTB), mas foi superado pela chapa Wilma de Faria/Antônio Jácome na votação final, com uma maioria de quase 300 mil votos (veja quadro nessa página).

Naquela eleição, Garibaldi Filho, que teve o governo aprovado pela maioria da população, elegeu-se senador da República com 714.363 votos (29,48%), ao lado de José Agripino Maia (PFL), que recebeu 594.912 votos (24,53%). Ou seja, o eleitor votou em Garibaldi, mas rejeitou a continuidade do seu projeto de governo com Fernando Freire.

Wilma de Faria, com aprovação em alta, foi reeleita em 2006, já tendo Iberê Ferreira (PSB) como vice-governador. Quatro anos depois, ela tentou eleger o sucessor, Iberê, que teve como vice Vágner Araújo (PSB), mas fracassou nas urnas.

Iberê Ferreira havia assumido o governo para ser candidato à reeleição, sendo derrotado pela chapa da então senadora Rosalba Ciarlini (DEM)/Robinson Faria (PMN) ainda no primeiro turno das eleições. Naquele pleito, a disputa pelo governo estadual teve ainda a candidatura do ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PDT), que terminou em terceiro lugar (veja quadro nessa página).

Além de não conseguir fazer o sucessor, Wilma de Faria fracassou na tentativa de se eleger senadora da República. A líder socialista terminou em terceiro lugar, com 651.538 votos (21,89%), e viu os senadores Garibaldi Filho, com 1.042.272 votos (35,03%), e Agripino Maia, com 958.891 (32,23%), serem reeleitos.

Desafio

Esse histórico, que não é uma ciência exata, será desafiado pelo jovem Cadu Xavier (PT), pré-candidato a governador com apoio da atual governadora Fátima Bezerra (PT). Ele tem dito que não teme qualquer situação que exige esforço, coragem ou resiliência para ser superada, e se mostra confiante no projeto eleitoral.

Ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu tem afirmado que vai defender o legado do governo Fátima, destacando o projeto político-administrativo que foi iniciado em 2018, quando a petista se elegeu governadora.

“Fátima é a minha grande inspiração”, tem afirmado Cadu ao exibir uma lista de obras, projetos e ações do governo estadual. É com esse discurso que ele se mostra disposto a desafiar a história recente e ser o primeiro governador eleito do Rio Grande do Norte com apoio do grupo político que está no poder por oito anos consecutivos.

Publicado por: Chico Gregorio

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