
Tudo dentro da legalidade, ao que tudo indica. Mas nem por isso a situação deixa de chamar atenção.
O Ministério Público do Ceará autorizou o envio de três de seus integrantes para acompanhar a Copa do Mundo de Clubes nos Estados Unidos. Os promotores Déric Funck Leite, titular da 49ª Promotoria de Justiça de Fortaleza, e Wander de Almeida Timbó, titular da 15ª Promotoria de Justiça de Caucaia, receberam diárias e ajuda de custo para permanecer entre os dias 19 e 25 de junho em missão institucional ligada ao evento.
Juntos, os dois receberam R$ 29.836,98 em diárias, calculadas com base no valor de US$ 485 por dia, além de ajuda de custo. O procurador-geral de Justiça do Ceará, Herbet Gonçalves Santos, também integra a comitiva na condição de presidente da Comissão Nacional criada para acompanhar ações relacionadas à Copa do Mundo Feminina de 2027. Somadas, as despesas autorizadas alcançam R$ 44.409,39.
Segundo o MP-CE, a missão tem caráter técnico. O objetivo é acompanhar protocolos de segurança, gestão de multidões e organização de grandes eventos esportivos, além de realizar visitas institucionais a órgãos policiais norte-americanos para colher experiências que possam ser aplicadas durante o Mundial Feminino que será realizado no Brasil.
A explicação é oficial, formal e certamente encontrará respaldo administrativo.
Ainda assim, é difícil ignorar o aspecto inusitado da situação. Em um país onde o Ministério Público desempenha papel central na fiscalização do gasto público, a utilização de mais de R$ 44 mil em diárias para acompanhar uma competição internacional inevitavelmente desperta questionamentos.
Não se trata de discutir a legalidade da despesa, mas sua razoabilidade. Afinal, aqueles que diariamente cobram eficiência, economicidade e justificativas para o uso dos recursos públicos sabem melhor do que ninguém que nem toda despesa legal está automaticamente imune ao escrutínio da opinião pública.
Com informações do Estadão

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