05/04/2026
08:28

 

Da Folha de SP, por Fernando Azevêdo

Um projeto de um estudante de Porto do Mangue, cidade do Rio Grande do Norte, para melhorar a sustentabilidade da pesca da lagosta tem chamado a atenção dentro e fora do Brasil. A ferramenta foi desenvolvida por Gabriel Melo, 18, durante uma feira de ciências, com o objetivo de transformar a principal atividade econômica da região em um modelo menos predatório.

As armadilhas criadas por Melo são feitas a partir da madeira da algaroba, árvore exótica e invasora, que é biodegradável e se torna substrato no fundo do mar após a captura, diferentemente de materiais ilegais e poluentes usados muitas vezes na atividade, como tonéis, pneus e marambaias.

Segundo o estudante, as ferramentas convencionais impactam o ecossistema marinho, capturam lagostas juvenis e são caras. O projeto, chamado Pesqueiro Sustentável, tenta reverter esses problemas. “Uma estrutura pesqueira tradicional custa de R$ 75 a R$ 138. O valor do Pesqueiro Sustentável varia de R$ 40 a R$ 45”, diz.

Cerca de 270 famílias dependem da pesca do crustáceo no município de Porto do Mangue. O estado do Rio Grande do Norte é o segundo maior produtor de lagosta no Brasil, depois do Ceará.

O projeto está em fase de escalabilidade, após ser apresentado a órgãos como o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema-RN) e a Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca de Porto do Mangue.

A iniciativa venceu prêmios nacionais, levou Melo à Suécia (Prêmio Jovem da Água de Estocolmo), à Brazil Conference em Harvard e MIT, e ao MWC Barcelona, sendo vista por especialistas como exemplo de conciliação entre conservação ambiental, geração de renda e continuidade da atividade pesqueira local.

 

Publicado por: Chico Gregorio

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