21/10/2026
10:33

O deputado federal General Girão (PL-RN) acusou estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) de promover “baderna” e vender drogas dentro da instituição, classificou universitários que demoram a concluir a graduação como “estudantes profissionais” e acusou a segurança do campus de ter sido “fraca, omissa e talvez até conivente” durante o confronto registrado na segunda-feira (19), em Natal. Na entrevista concedida após o episódio, o parlamentar não apresentou provas para sustentar as acusações contra os estudantes.

A declaração ocorre um dia depois de um ato bolsonarista em apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL), realizado no campus central da UFRN, terminar em confronto físico entre participantes da manifestação e estudantes que se opunham ao protesto. A violência deixou feridos, entre eles o estudante de Jornalismo Henrique Neiva, que teve um dente quebrado, e provocou danos ao patrimônio da universidade.

Em vez de apresentar evidências para as acusações feitas contra integrantes da comunidade acadêmica, Girão procurou responsabilizar os estudantes contrários à manifestação e a equipe de segurança da universidade. Também anunciou que pretende entregar um documento ao reitor da UFRN, Daniel Diniz, questionando a atuação dos agentes durante o tumulto.

“Esses caras tão lá dentro, sabe o quê? Promovendo baderna e vendendo droga”, afirmou o deputado, ao se referir aos estudantes que, segundo ele, permaneceriam por muitos anos na universidade sem concluir os cursos.

A entrevista não trouxe nomes, ocorrências policiais, investigações ou qualquer outro elemento que comprovasse a suposta comercialização de drogas por estudantes. A declaração generaliza uma acusação de natureza criminal contra integrantes de uma comunidade universitária inteira, sem estabelecer quem seriam os envolvidos ou em quais circunstâncias os fatos teriam ocorrido.

Ataque à comunidade acadêmica

Girão justificou suas críticas à universidade pública com o argumento de que a instituição é financiada com dinheiro dos impostos pagos pela população. “A esquerda se apropriou da comunidade acadêmica de um jeito que eu, sinceramente, não concordo, porque é o meu dinheiro”, declarou.

Publicado por: Chico Gregorio

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