O candidato ao Governo do Rio Grande do Norte Cadu de Lula (PT) negou que sua chegada ao segundo turno tenha sido resultado do uso da máquina pública estadual e afirmou que sua campanha dispõe de uma estrutura menor do que a do adversário Allyson Bezerra (União).
Ex-secretário estadual da Fazenda, o petista rebateu a acusação do adversário, que afirmou no início desta semana que “a máquina do Estado moeu” em prol de Cadu no primeiro turno.

“A gente fez uma campanha honesta, uma campanha no olho no olho, no pé no chão. Eu rodei esse estado todinho. Uma campanha de tostão contra milhão”, declarou. Cadu apresentou o contato direto com os eleitores como a principal característica de sua mobilização e argumentou que a diferença de estrutura entre as candidaturas poderia ser percebida nas ruas, pela quantidade de material de propaganda.
Cadu dirigiu críticas ao ex-prefeito de Mossoró. “É um cara de pau, me desculpe”, afirmou. Na sequência, questionou a conduta de aliados do adversário durante a campanha.
O petista mencionou vídeos que, segundo ele, mostram um prefeito aliado de Allyson condicionando serviços públicos ao voto. Também citou um episódio em Baraúna envolvendo dinheiro e material eleitoral, que associou a uma possível compra de votos. As referências foram apresentadas pelo candidato como contraponto à acusação de uso da máquina estadual. “Não tem nada disso da gente”, afirmou.
Ao insistir na comparação entre as campanhas, Cadu disse que a candidatura adversária construiu uma imagem que estaria sendo questionada pelo eleitorado. “Allyson é um personagem que, aos poucos, o Rio Grande do Norte está percebendo quem é”, declarou. O candidato associou sua expectativa de vitória ao que considera reconhecimento de sua postura política. “Eu tenho certeza de que o Rio Grande do Norte, no dia 25, vai votar em quem tem verdade, compromisso e honestidade.”
A defesa da honestidade também apareceu quando Cadu tratou de sua passagem pelo governo Fátima Bezerra (PT). Ex-secretário da Fazenda, afirmou que sua trajetória permite ao eleitor avaliar como pretende conduzir o Executivo. “Não tive nenhum escândalo de corrupção. Cuidei do dinheiro do nosso povo por sete anos e quatro meses. Vivo do mesmo jeito”, disse.
Segundo o candidato, o exercício da função pública não modificou seu padrão de vida nem sua forma de se relacionar com as pessoas. Cadu afirmou que pretende manter esse comportamento caso seja eleito e destacou que circula acompanhado de assessor, sem uma grande estrutura de segurança. “Vou ser eleito governador e vou continuar exatamente a mesma pessoa que eu sempre fui”, declarou.
O petista também citou sua relação com o setor empresarial como exemplo de diálogo sem exigência de contrapartida política. Disse que, durante sua atuação na Fazenda, manteve interlocução com pessoas que apoiavam e com pessoas que se opunham ao governo. Ao mencionar políticas de incentivos fiscais, afirmou que empresários de direita foram beneficiados. “A gente nunca pediu nada em troca”, ressaltou.
Apoios no segundo turno
Para o segundo turno, Cadu disse que essa experiência de interlocução orientará a busca de apoios fora de sua base original. O candidato relatou que tem recebido lideranças municipais em seu escritório e afirmou que a movimentação se intensificou depois do primeiro turno. “A gente tem recebido uma avalanche de apoios. Eu não tenho parado de receber”, declarou, citando prefeitos e vereadores.
Questionado sobre prefeitos que receberam apoio do governo estadual, mas escolheram outras candidaturas, Cadu afirmou que não pretende concentrar a nova etapa da campanha nas divergências anteriores. “Passou. Eu acho que eles fizeram escolhas, e a gente, na vida, quando faz escolhas, arca com as consequências”, disse.
O candidato acrescentou que, em alguns municípios, a escolha do eleitorado não acompanhou a posição dos gestores. “O governo foi muito correto com várias prefeituras, eles optaram outro caminho. Em muitos desses municípios, o povo deu a resposta. Mas isso passou”, afirmou. Disse que sua prioridade agora é ampliar a mobilização para o segundo turno.
A abertura ao diálogo, segundo Cadu, também alcança eleitores de direita que votaram em outras candidaturas, como a de Álvaro Dias (PL). O petista afirmou que buscará apresentar suas propostas a esse público, mas descartou abandonar sua identificação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eu tenho um lado. Eu sou candidato do presidente Lula, defendo todas as bandeiras do presidente Lula, e eu não abro mão disso.”
Cadu argumentou que ter uma posição política definida não impede conversar com quem pensa diferente. “A gente não precisa brigar pela questão política. A gente precisa respeitar o pensamento de cada um”, declarou. Ele também pediu que eleitores que não apoiam Lula conheçam suas propostas. “Os que não votam também, que deem uma olhada no nosso projeto”, afirmou, reiterando que pretende ampliar sua votação pelo diálogo e pela apresentação de sua trajetória.

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