
O ex-presidente Michel Temer (MDB) fez o que qualquer ser humano racional faria: foi recíproco com quem, ao longo dos anos, lhe tratou com respeito, atenção e consideração. O oposto do que o PT do presidente Lula sempre fez desde que o Impeachment da presidente Dilma Rousseff o tornou inimigo incondicional.
Antes de anunciar apoio a Flávio Bolsonaro (PL), Temer conversou diretamente com o senador.
A decisão também é coerente com uma relação construída ao longo dos anos com Jair Bolsonaro. Em 2018, Temer votou em Bolsonaro; em 2020, foi escolhido para liderar a missão humanitária brasileira no Líbano; e, em 2021, foi procurado pelo então presidente para ajudar a conter a crise entre o Planalto e o STF.
TEMER PODE SER A PONTE COM MORAES
Há ainda um detalhe que torna essa relação politicamente simbólica: Temer foi responsável pela indicação de Alexandre de Moraes ao Supremo, hoje um dos principais desafetos do bolsonarismo.
Mesmo assim, Temer manteve a interlocução com os dois lados. É justamente essa capacidade de diálogo, aliada à sua conhecida temperança, que pode fazer dele um elo entre polos tão radicalizados da política brasileira.
Ao anunciar seu apoio a Flávio, Temer manteve o tom que sempre marcou sua atuação: moderação, defesa do diálogo e busca por reconexão.
Mais do que uma escolha eleitoral, seu gesto reafirma uma característica essencial de sua trajetória política: construir pontes onde outros preferem levantar muros. E isso será essencial no Brasil que se anuncia.

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