ACM Neto e Daniel VorcaroCrédito: Reprodução
247 – O banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação, que ACM Neto e Antônio de Rueda, ambos do União Brasil, teriam atuado para viabilizar aportes de recursos públicos no Banco Master em troca de vantagens indevidas. Segundo informações reveladas pelo UOL, os dois políticos receberiam 10% sobre valores captados junto a institutos de previdência e empresas públicas.
A delação, rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República por falta de dados inéditos e ausência de garantias de devolução de valores, voltou ao centro das atenções após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, divulgar relatório de inteligência da PF sobre a investigação.
De acordo com a proposta, ACM Neto, candidato ao governo da Bahia pelo União Brasil, e Antônio de Rueda, presidente nacional da legenda e candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, teriam aberto portas para o Master em institutos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, além da Cedae, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro.
Vorcaro afirmou que a movimentação teria permitido ao Master captar R$ 2 bilhões. Pela versão do ex-banqueiro, a aplicação de uma alíquota de 10% geraria uma obrigação de R$ 200 milhões com os dois dirigentes do União Brasil. O documento, porém, não informa quanto teria sido efetivamente pago.
A proposta afirma ainda que, para “cada grupo político que captasse o investimento, seria destinado 10% do valor da aplicação ou 1% por ano que o recurso ficasse investido no Banco Master”. Vorcaro não explicou, no entanto, como era definida a forma de cálculo.
Um dos anexos da delação trata da “captação de recursos públicos promovida por Antônio Carlos Magalhães Neto e Antônio de Rueda”. Nesse trecho, Vorcaro diz que os pagamentos aos dois eram recorrentes a ponto de o banco ter criado uma espécie de controle interno de valores a receber.
“Uma vez que ACM Neto e Antônio de Rueda intermediaram diversos negócios para o Banco Master, como o Credcesta, captação de investidores institucionais e intermediação junto ao BRB, sempre mediante o pagamento de vantagens indevidas, ambos passaram a ter uma espécie de conta corrente gerencial de valores a receber junto ao Banco Master”, diz trecho da proposta de delação de Daniel Vorcaro.
O ex-banqueiro descreveu diferentes formas que, segundo ele, teriam sido usadas para os repasses. No caso de ACM Neto, os pagamentos ocorreriam em espécie por meio de empresas e pessoas ligadas a Augusto Lima e Antônio Freixo, dono da Entre Investimentos e Participações; por contratos de consultoria entre a A&M Consultoria Ltda. e o Banco Master; por contratos entre a A&M e a Reag; e por contratos firmados com a B6 Capital, gestora ligada ao ex-prefeito de Salvador.
Em relação a Rueda, Vorcaro afirmou que os repasses teriam ocorrido em espécie, também por meio de empresas e pessoas ligadas a Augusto Lima e Antônio Freixo, e por contratos entre empresas do conglomerado Master e o escritório Rueda & Rueda Advogados. Segundo o documento, esses contratos somariam cerca de R$ 3 milhões por mês.
Como elementos de sustentação do relato, Vorcaro apresentou mensagens trocadas com funcionários do Master, além de contratos com a A&M Consultoria Ltda. e com o escritório de advocacia de Rueda. Ele também afirmou ter se reunido com ACM Neto e Rueda na sede do banco, ao lado de seu então sócio Augusto Lima, para “monitorar o andamento das demandas” relacionadas às “contrapartidas”.
Entre as mensagens citadas, há uma enviada por Vorcaro a uma funcionária do Master em 13 de novembro de 2023, na qual ele pediu a inclusão de um encontro com Rueda em sua agenda, às 17h30. Em outro episódio, a funcionária teria escrito: “Daniel, o Nando está perguntando sobre helicóptero para o ACM e Rueda. Se está tudo certo?”. Vorcaro respondeu que sim.
A proposta também menciona a relação entre o Master e o BRB, Banco de Brasília. Segundo Vorcaro, Rueda o teria chamado em junho de 2024 para uma reunião em Brasília com Paulo Henrique Costa, presidente do BRB. O encontro teria ocorrido na casa de Rueda.
No relato, Vorcaro diz que foi informado de que o BRB enfrentava dificuldades para concluir uma proposta de aumento de capital de cerca de R$ 1 bilhão, que não havia atraído o mercado. Segundo a defesa do ex-banqueiro, “Rueda e Paulo Henrique Costa pediram que o colaborador conseguisse o valor para cobrir o aumento de capital do BRB em 2 ou 3 dias, que é quando se encerraria o prazo da proposta de aumento de capital”.
Ainda segundo Vorcaro, Paulo Henrique Costa teria prometido que o BRB compraria ativos do Master “em até 10 vezes o valor investido e capitaneado pelo colaborador”. O ex-banqueiro afirmou que o negócio era vantajoso para o Master e que decidiu ajudar no aumento de capital. Como não poderia deter mais de 5% do controle acionário sem divulgar o fato ao mercado, teria adquirido ações por meio de fundos administrados pela Reag, Trustee e Master Corretora.
Pela versão apresentada na proposta de delação, o grupo de Vorcaro aportou cerca de R$ 750 milhões no BRB. Em contrapartida, o banco público teria comprado cerca de R$ 6 bilhões em carteiras do Master no mesmo período, em 2024.

0 Comentários