09/09/2026
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De cidade do algodão à inovação: São José do Seridó usa sistemas próprios para modernizar gestão pública
Ferramentas desenvolvidas para Saúde, energia, tributação, frota e meio ambiente mudaram rotinas administrativas e ampliaram o uso da tecnologia nos serviços municipais
São José do Seridó, no coração da região Seridó do Rio Grande do Norte, construiu sua história econômica a partir de atividades como a cultura do algodão mocó e a pecuária. Décadas depois, a cidade mantém parte dessa tradição, mas incorporou um novo elemento à sua realidade: a tecnologia aplicada à administração pública.
Nos últimos anos, o município passou a desenvolver sistemas próprios para solucionar demandas específicas de diferentes setores da Prefeitura. As ferramentas não têm como objetivo apenas informatizar procedimentos, mas modificar a maneira como determinadas informações são acompanhadas, serviços são prestados e recursos públicos são administrados.
Entre os sistemas estão o SISMEDI, voltado para a Farmácia Básica; o SINERGIA, destinado ao acompanhamento do consumo e dos gastos com energia; o EMITER, utilizado em procedimentos da Tributação; o SISFROTA, para controle dos veículos municipais; e o GEOA, direcionado à gestão ambiental.
Medicamentos: informação antes do deslocamento
Na área da Saúde, o SISMEDI passou a facilitar o acesso às informações sobre a disponibilidade de medicamentos na Farmácia Básica.
A mudança é simples, mas interfere diretamente na rotina do usuário. Em vez de precisar se deslocar até a unidade apenas para verificar se determinado medicamento está disponível, o cidadão pode acompanhar a informação por meio da ferramenta.
Além da comodidade para quem utiliza o serviço, o sistema proporciona ao setor responsável uma forma mais organizada de trabalhar com as informações sobre os medicamentos.
É um exemplo de como uma solução tecnológica pode atuar em duas pontas: facilitar o acesso do cidadão e melhorar o controle interno do serviço público.
Energia: tecnologia para enxergar onde estão os problemas
Se no SISMEDI o impacto é percebido principalmente pelo usuário, no SINERGIA a tecnologia atua diretamente sobre o controle administrativo.
O sistema foi desenvolvido para acompanhar o consumo e os gastos com energia elétrica do município. Com a ferramenta, tornou-se possível observar informações que ajudam a identificar inconsistências e problemas no funcionamento do sistema energético.
Um dos resultados apontados com a utilização do SINERGIA foi a identificação de falhas relacionadas à geração de energia solar.
Nesse caso, a tecnologia passa a cumprir uma função estratégica: produzir informação para que a administração possa tomar decisões e evitar desperdícios ou perdas de eficiência.
 
EMITER reduz etapas e concentra processos
Outra frente de digitalização está no setor de Tributação, onde o EMITER reúne procedimentos relacionados à emissão e gestão de guias de sepultamento e aforamentos, além de operações envolvendo pagamentos via Pix e geração de documentos.
A mudança interfere diretamente na rotina dos servidores, reduzindo a dependência de procedimentos manuais e tornando as informações mais organizadas.
Para a população, a consequência é a possibilidade de realizar determinados processos com maior agilidade. Para o município, a ferramenta representa maior controle sobre documentos, pagamentos e informações tributárias.
SISFROTA transforma informação em controle da frota
O gerenciamento de veículos públicos também ganhou uma ferramenta específica.
O SISFROTA foi desenvolvido para organizar o controle da frota municipal, permitindo à administração reunir informações necessárias ao acompanhamento dos veículos.
Em uma estrutura pública que depende de carros, máquinas e outros veículos para executar serviços, ter informações organizadas é fundamental para planejar utilização, manutenção e demais despesas relacionadas à frota.
A ferramenta, portanto, atua em uma área diretamente relacionada ao uso de recursos públicos e ao funcionamento cotidiano dos serviços municipais.
Meio ambiente também entra na transformação digital
A tecnologia chegou ainda à área ambiental com o GEOA, sistema desenvolvido como instrumento de apoio à gestão ambiental.
A ferramenta permite organizar informações e auxiliar o acompanhamento das demandas relacionadas ao setor, ampliando a capacidade de gestão e de tomada de decisão.
A presença do GEOA também revela uma característica desse processo: os sistemas não foram concentrados em uma única secretaria ou área administrativa. A proposta alcança diferentes setores da estrutura municipal.
O que muda quando a Prefeitura passa a produzir seus próprios sistemas?
A experiência de São José do Seridó chama atenção justamente por partir de uma realidade comum a muitos municípios pequenos: estruturas administrativas enxutas e necessidades específicas que nem sempre encontram soluções prontas adequadas.
Em vez de depender exclusivamente de plataformas genéricas, o município passou a desenvolver ferramentas direcionadas aos próprios problemas.
Isso permite que o sistema seja pensado de acordo com a rotina de cada setor e possa ser ajustado conforme novas necessidades aparecem.
Na prática, a mudança envolve três pontos: mais informação para a tomada de decisões, maior controle dos processos e serviços potencialmente mais acessíveis ao cidadão.
De uma economia tradicional para uma administração conectada
A transformação tecnológica ocorre em uma cidade que continua tendo na pecuária e nas oficinas de costura importantes atividades econômicas.
A diferença é que, paralelamente a esses setores, São José do Seridó passou a experimentar uma outra forma de desenvolvimento: a utilização da tecnologia como instrumento de gestão.
O resultado ainda não está apenas nos sistemas em si, mas na mudança de comportamento administrativo que eles provocam.
Quando informações sobre medicamentos podem ser consultadas à distância, quando o consumo de energia passa a ser monitorado por uma ferramenta própria, quando processos tributários são digitalizados e quando a frota passa a ser acompanhada por sistema específico, a tecnologia deixa de ser apenas uma estrutura de apoio e passa a fazer parte da própria gestão pública.
Uma experiência que ganha espaço no Seridó
O desenvolvimento dessas ferramentas coloca São José do Seridó em uma posição diferenciada dentro da região, especialmente pelo fato de os sistemas terem sido pensados e desenvolvidos para atender demandas concretas do próprio município.
Mais do que o número de plataformas criadas, o aspecto relevante da experiência está na tentativa de encontrar, por meio da tecnologia, respostas para problemas cotidianos da administração pública.
A cidade que um dia teve sua economia impulsionada pelo algodão mocó e que construiu sua identidade na pecuária e no trabalho passa a escrever um novo capítulo de sua história.
Desta vez, com dados, sistemas e tecnologia ocupando espaço na rotina da administração pública.
E a experiência de São José do Seridó mostra uma tendência que pode ganhar força nos pequenos municípios: a inovação não precisa necessariamente vir de grandes centros tecnológicos. Ela também pode nascer dentro de uma Prefeitura do interior, a partir da identificação dos próprios problemas e da busca por soluções para enfrentá-los.
-Todas essas ferramentas que estão fazendo a diferença em São José do Seridó tiveram como desenvolvedor o Diretor de Tecnologia da PMSJS, Railson Abreu Dantas.

Publicado por: Chico Gregorio

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