
Faltando um mês para a realização das eleições ao governo do Estado em primeiro turno, a pesquisa Atlas/Intel divulgada ontem pelos meios de comunicação mostra uma reconfiguração do cenário paraibano, com inversão de papéis entre candidatos. O levantamento aponta liderança cristalizada, na disputa, do governador Lucas Ribeiro, do PP, candidato à reeleição, que alcançou 42,4% das intenções de voto. É o melhor momento de Lucas, que começou timidamente a campanha, teoricamente desconhecido de parcelas da opinião pública por ter assumido a titularidade do Executivo só em abril, com a renúncia de João Azevêdo (PSB) para concorrer ao Senado. Quando a candidatura de Lucas foi oficializada, o ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), que rompeu com o PP e com Azevêdo, estava na dianteira confortável dos números de institutos especializados e parecia mesmo em marcha batida para se estabilizar como favorito. Lucas vinha em segundo, mas com um crescimento vegetativo, e o senador Efraim Filho, do PL bolsonarista, despontava em terceiro.
Agora, o cenário da pesquisa Atlas/Intel sinaliza uma reviravolta surpreendente na conjuntura estadual, com Lucas avançando substancialmente e uma inversão no segundo lugar, com a ascensão de Efraim Filho, com 30,9% das intenções, deixando Cícero para trás, em terceiro lugar, com 19,8%. O senador bolsonarista não só trabalhou incansavelmente para evoluir de desempenho na corrida, como sempre prognosticou a certeza de que estaria presente no segundo turno, dando combate ao governador Lucas Ribeiro. Pelos dados atuais, essa hipótese já está cravada, embora, por via das dúvidas, convém esperar o desdobramento do quadro político-eleitoral. Na prática, confirma-se a reprodução da polarização nacional que opõe o presidente Lula (PT) ao senador Flávio Bolsonaro (PL): na Paraíba, Lucas Ribeiro teve declaração de apoio do presidente Lula e conquistou o apoio formal do diretório estadual do Partido dos Trabalhadores, presidido pela deputada Cida Ramos, enquanto Efraim já conseguiu trazer várias vezes o senador Flávio Bolsonaro ao Estado para impulsionar sua mobilização.
Esse fenômeno da polarização política-ideológica se dá na Paraíba sem que os favoritos de hoje priorizem o debate nacional e, por via de consequência, o antagonismo entre propostas dos presidenciáveis. A campanha pelo governo do Estado se dá no nível da discussão dos problemas da população paraibana e de questionamentos sobre a atual administração, com a oposição batendo forte na gestão João-Lucas e o governador-candidato enumerando o saldo de obras e realizações encaminhadas e executadas a partir da Era João Azevêdo. A polêmica opõe continuidade versus renovação, e Efraim leva vantagem no campo oposicionista porque rompeu com o governo ainda em 2022 quando se elegeu ao Senado Federal, enquanto Cícero patina no discurso porque foi aliado de Azevêdo até abril deste ano, sendo tratado por muitos como um “dissidente”, não um rival declarado. Enfim, Cícero não tem um candidato a presidente da República para chamar de seu, isto é, não tem palanque presidencial no Estado, o que reforçaria tecnicamente a sua logística de campanha, sobretudo em grandes centros como João Pessoa e Campina.
Polêmica PB***

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