02/09/2026
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Um parecer do Ministério Público Eleitoral aponta indícios de execução fraudulenta em pesquisas eleitorais realizadas no Rio Grande do Norte. Assinado pelo procurador Kleber Martins de Araújo em 28 de agosto, o documento afirma que os fatos ultrapassam a esfera cível eleitoral e podem configurar, em tese, crimes previstos na legislação eleitoral.

A manifestação pede o encaminhamento de notícia-crime ao procurador regional eleitoral para adoção das providências criminais cabíveis.

O principal caso analisado é o da pesquisa RN-08092/2026, realizada pelo Instituto MÉDIA e contratada e veiculada por um grupo de comunicação. Registrada com 2 mil entrevistas em 85 municípios, a pesquisa foi divulgada em 9 de julho com Álvaro Dias em primeiro lugar, com 32,1% das intenções de voto, contra 27,5% de Allyson Bezerra. Ao analisar os microdados entregues pela própria empresa por determinação judicial, o procurador identificou seis indícios objetivos de execução fraudulenta. Entre as irregularidades apontadas estão entrevistas realizadas antes do período de coleta oficialmente registrado, inconsistências nas informações de localização, problemas nos registros de controle de qualidade e divergências nos dados apresentados pela empresa.

O parecer também analisa a pesquisa RN-09520/2026, realizada por outra empresa do setor, que igualmente colocou Álvaro Dias à frente de Allyson Bezerra. Nesse caso, o Ministério Público identificou concentração considerada inverossímil das entrevistas, divergências entre entrevistadores declarados e códigos existentes na base, ausência de metadados de coleta e inconsistências no registro profissional da estatística. O documento aponta ainda coincidências entre as equipes de campo das duas empresas, além de coincidência de endereço comercial e da presença dos mesmos responsáveis durante diligências.

A dimensão das suspeitas aparece no levantamento transversal realizado pelo próprio Ministério Público Eleitoral. Das 26 pesquisas registradas para o Governo do Estado entre 3 de abril e 13 de julho, 19 apontavam Allyson Bezerra na liderança e sete colocavam Álvaro Dias à frente. Segundo o parecer, as pesquisas que apontavam Álvaro na liderança apresentavam irregularidades documentadas. O documento cita diferentes empresas de pesquisa e aponta, em regra, problemas relacionados à execução dos levantamentos ou à participação dos mesmos responsáveis.

O Ministério Público Eleitoral pede que os fatos sejam apurados criminalmente, inclusive com a possibilidade de instauração de procedimento investigatório ou requisição de inquérito policial à Polícia Federal. Também foram solicitadas perícias estatística e georreferenciada, além da reconstrução da cadeia de coleta e do exame das bases de dados das pesquisas envolvidas.

Heitor Gregório***

Publicado por: Chico Gregorio

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