13/08/2026
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Álvaro Dias é destituído do Republicanos e Allyson Bezerra ...

Foto Reprodução

Uma pergunta feita pelo marqueteiro de Álvaro Dias, Alexandre Macedo, no programa Tamo Junto pode ser lida como uma possível antecipação de uma linha de ataque da campanha contra Allyson Bezerra. Além de apostar que a polarização nacional ganhará peso no decorrer da disputa, com um viés de mudança estadual em face da desaprovação do governo do PT no RN, Macedo questionou a intensidade das críticas de Allyson ao governo Fátima Bezerra e lançou a provocação: seria ele o “plano B do PT”? A formulação remete diretamente à campanha de 2024, quando Paulinho Freire explorou justamente a associação de Carlos Eduardo ao Partido dos Trabalhadores. Naquele pleito, a propaganda de Paulinho chegou a apresentar Carlos como “plano B do PT”, lembrando suas alianças anteriores com Fátima e os petistas.

2024 E A QUESTÃO DA VEROSSIMILHANÇA E CAUSALIDADE

A estratégia coincidiu com a perda de força de Carlos Eduardo e sua exclusão do segundo turno, mas é impossível atribuir causalmente o resultado apenas a essa mensagem. Paulinho possuía uma estrutura eleitoral muito superior: apoio do então prefeito Álvaro Dias, vereadores, lideranças, ampla coligação e maior capacidade de campanha, enquanto Carlos chegou à reta final relativamente isolado. Além disso, havia uma matéria-prima concreta para tornar a associação verossímil: Carlos Eduardo já havia sido aliado de Fátima, recebeu apoio dela para o Senado em 2022 e apoiou a petista anteriormente. Portanto, mesmo sem existir um acordo de “plano B” em 2024, a campanha adversária tinha fatos anteriores a partir dos quais podia construir essa narrativa.

OS OBSTÁCULOS DA NARRATIVA PARA 2026

Transportar a mesma fórmula para 2026, porém, encontra obstáculos importantes. Allyson nunca teve com Fátima a trajetória de alianças de Carlos Eduardo e já fez críticas públicas duras à governadora: em fevereiro, por exemplo, acusou o Governo do Estado de ter “abandonado” Mossoró. Além disso, Allyson chega à campanha estadual com estrutura própria, apoios e capacidade de comunicação para responder aos ataques, enquanto procura ocupar uma posição de independência em relação tanto ao lulismo quanto ao bolsonarismo. Há ainda uma diferença de escala: uma estratégia eleitoral eficaz em Natal não necessariamente produzirá o mesmo resultado no conjunto do RN, onde a composição política e eleitoral é diferente, bem menos antipetista.

O CONTRA-ATAQUE

Há, finalmente, um problema adicional para Álvaro: uma campanha baseada em desconstrução dificilmente será unilateral. Allyson terá condições de devolver os ataques, inclusive explorando pontos vulneráveis da passagem de Álvaro pela Prefeitura de Natal, como a engorda de Ponta Negra e obras deixadas em andamento. Assim, a hipótese de repetir contra Allyson a estratégia utilizada contra Carlos Eduardo merece ser acompanhada, sobretudo depois da provocação feita por Alexandre Macedo. Mas as condições de 2026 são bastante diferentes das de 2024: outro território eleitoral, outro adversário, outra correlação de forças e uma associação com o PT bem menos evidente. Se a tentativa de transformar Allyson no novo “plano B do PT” realmente será adotada, e se terá algum efeito, a campanha é que permitirá testar.

O Potiguar**

Publicado por: Chico Gregorio

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