Na sabatina promovida pela FIERN e pelo Midiacom, Cadu de Lula (PT) apresentou uma agenda econômica que combina continuidade das políticas adotadas nos últimos anos com uma aposta mais agressiva na atração de investimentos privados e na transformação das riquezas naturais do Rio Grande do Norte em cadeias produtivas capazes de gerar emprego e renda.
O eixo central do discurso foi o equilíbrio entre responsabilidade fiscal e capacidade de investimento. Cadu defendeu o crescimento da receita estadual, o controle das despesas com pessoal e a manutenção da austeridade como condições para que o Estado possa investir mais. A meta de limitar o gasto com pessoal a 55% da receita sinaliza que o candidato pretende tratar o equilíbrio das contas públicas como pré-requisito para uma nova etapa de desenvolvimento.
Na infraestrutura, a duplicação da BR-304 e a viabilização do Porto Indústria Verde aparecem como projetos estruturantes. São obras que, na visão apresentada pelo candidato, podem reduzir gargalos logísticos e ampliar a capacidade do RN de atrair empresas e integrar sua produção aos mercados nacional e internacional.
Cadu também procurou afastar qualquer resistência ideológica às parcerias com o setor privado. PPPs e concessões foram apresentadas como instrumentos para acelerar investimentos e melhorar serviços públicos. A estratégia é manter projetos já existentes e ampliar esse modelo, colocando o Estado menos como executor direto e mais como indutor do desenvolvimento.
Na educação, a proposta de universalizar o ensino integral na rede estadual ganha uma dimensão econômica. A intenção é aproximar a formação dos jovens das demandas do mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que se combate a evasão escolar e o analfabetismo. O complemento estadual ao Pé-de-Meia reforça essa preocupação com a permanência dos estudantes na escola.
Na segurança pública, a integração das forças policiais e a expansão do videomonitoramento foram apresentadas como mecanismos para aumentar a sensação de segurança. A proposta de fortalecer a Patrulha Maria da Penha e as delegacias especializadas acrescenta ao discurso uma preocupação específica com a proteção das mulheres.
Mas é na transição energética que Cadu tenta construir uma das marcas mais fortes de sua agenda econômica. O desafio, segundo ele, não é apenas produzir energia renovável, mas fazer com que o RN deixe de ser apenas fornecedor de energia e passe a abrigar as indústrias e serviços associados a essa nova economia. Hidrogênio verde e data centers aparecem como exemplos de investimentos capazes de agregar valor à abundância de energia limpa produzida no Estado.
A mesma lógica é aplicada à mineração e à fruticultura. Cadu aposta na expansão de atividades nas quais o RN já possui vantagens competitivas, potencial que pode ser ampliado com a chegada das águas do São Francisco à Chapada do Apodi. Para isso, defende uma modernização do licenciamento ambiental, buscando reduzir a burocracia sem abrir mão das exigências de preservação.
No conjunto, o discurso apresentado na FIERN revela uma tentativa de posicionar Cadu como candidato da continuidade com aperfeiçoamento. Ele procura capitalizar a experiência acumulada no governo, mas, ao mesmo tempo, apresenta uma agenda de maior aproximação com o setor produtivo e de atração de investimentos.
O ponto de maior interesse político está justamente nessa equação: como ampliar investimentos e acelerar o desenvolvimento sem comprometer o equilíbrio fiscal e ambiental. A resposta de Cadu passa por um Estado mais indutor, parcerias com a iniciativa privada, qualificação da mão de obra e aproveitamento das vantagens naturais do RN.
É uma estratégia que procura dialogar diretamente com a pauta da indústria e do empresariado, mas que ainda precisará transformar projetos de grande porte, como o Porto Indústria Verde, a duplicação da BR-304 e a industrialização associada às energias renováveis, em cronogramas, fontes de financiamento e resultados concretos. É aí que o discurso de desenvolvimento será efetivamente testado.

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