25/07/2026
10:38

Laurita Arruda ***

A semana termina com mais um capítulo da política transformada em espetáculo, enquanto a saúde da população de Natal segue à espera de soluções.

De um lado, a deputada federal Natália Bonavides (PT) acusa a Prefeitura de correr o risco de perder cerca de R$ 40 milhões em recursos do Ministério da Saúde por falhas administrativas.

Do outro, o prefeito Paulinho Freire (União Brasil) reage em vídeo nas redes sociais e chama adversários de  “sapos cururus”, dizendo que aparecem apenas quando a “lagoa transborda”, em referência às críticas feitas durante o período das chuvas.

TERCEIRO TURNO INTERESSA A QUEM? 

No meio da troca de acusações está a população, que continua enfrentando filas, falta de atendimento e a incerteza sobre investimentos importantes para a saúde pública.

O fato é que Natal realmente corre o risco de perder os recursos, embora o prazo para regularização ainda não tenha expirado.

O entrave está na emissão de um parecer pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS), órgão previsto em lei para exercer o controle social das políticas públicas de saúde e cuja manifestação é indispensável para a conclusão do processo no Ministério da Saúde.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o Relatório Anual de Gestão (RAG) foi entregue ao Conselho dentro do prazo legal, em 30 de março, para que o parecer fosse emitido até o fim de abril. A reunião para análise, no entanto, só ocorreu em junho e, até agora, a documentação não foi liberada. O Conselho alega dificuldades estruturais, como a falta de uma sala própria para suas reuniões.

A Prefeitura sustenta que parte dos conselheiros estaria retardando deliberadamente a tramitação por motivações políticas. É uma acusação grave e se verdadeira, representa um desvirtuamento da finalidade do Conselho, criado para fiscalizar e aperfeiçoar as políticas públicas, jamais para servir de instrumento de disputa ideológica.

Por outro lado, se houve falhas administrativas da gestão municipal, elas também precisam ser corrigidas com transparência e rapidez.

O que não pode ser normalizado é transformar R$ 40 milhões destinados à saúde em munição para uma guerra política.

Quando autoridades trocam acusações e apelidos como sapo  “cururu”, o cidadão pouco se importa com quem vencerá a disputa. O que ele espera é que os recursos cheguem, que os documentos sejam assinados e que a política cumpra seu papel: resolver problemas, e não criá-los.

Publicado por: Chico Gregorio

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