Em 1978, a eleição não aconteceu no plenário da Assembleia Legislativa com um Colégio Eleitoral robusto, composto por deputados estaduais e delegados representando as Câmaras Municipais do estado do RN, para eleger um nome indicado pelo general Geisel que ocupava a presidência da República no período da Ditadura Militar.
A articulação foi cirúrgica. O então governador Tarcísio Maia (pai de José Agripino Maia), um dos homens mais influentes do estado, convenceu o homem forte de Geisel, o general Golbery do Couto e Silva, de que o nome ideal para a sucessão era seu primo, o médico Lavoisier Maia.
O ex-prefeito de Mossoró e ex-senador Dix-huit Rosado sonhava com o cargo que já tinha tentando em 1970 e 1974 (outras duas eleições indiretas), mas não houve prévias, nem debates públicos. A ordem veio de Brasília e a bancada da ARENA, partido de sustentação do regime, apenas cumpriu o script.
“Paz Pública”
Para suavizar a imagem de um governo imposto, a articulação trouxe uma surpresa: Geraldo Melo foi indicado para vice-governador. Geraldo tinha origens no grupo político de Aluízio Alves, o maior rival dos Maia, e sua presença na chapa simbolizava uma tentativa de união das elites políticas em torno do projeto militar.
Foi um acordão que uniu Alves e Maia, as duas oligarquias que disputavam o poder no Rio Grande do Norte. O acordão foi apelidado de “Paz Pública” e envolveu a eleição de Jessé Freire para o Senado, pela ARENA com apoio dos Alves.
A oposição, liderada pelo MDB, sabia que a derrota era certa. Dos 324 integrantes do Colégio Eleitoral, 311 compareceram. Lavoisier foi eleito com 293 votos. Os 18 votos em branco registrados naquela tarde foram o gesto de resistência de parlamentares como o jovem Garibaldi Alves Filho, que denunciavam o que chamavam de “farsa democrática”.
- Em 1978, a eleição indireta era a ferramenta de uma ditadura para impedir a alternância de poder. Lavoisier governou por quatro anos completos.
Bruno Barreto* com adapatações


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