
E se é para falar de times, seleções e Copas, a pré-campanha para a disputa do Governo do Rio Grande do Norte tem mostrado um cenário relativamente claro neste momento em que as equipes começam a ser escaladas: os times de Lula e Bolsonaro querem se enfrentar em eventual segundo turno.
Antes da análise, vale um bastidor…
Há alguns dias, circulou a informação sobre uma reunião a portas fechadas entre representantes das duas equipes mais antagônicas e polarizadas do Estado. O time vermelho e o verde-amarelo teriam um mesmo objetivo: excluir o favorito – Allyson Bezerra – em boa parte das pesquisas preliminares divulgadas até agora. A tal reunião, que não seria exatamente um tapetão, teria ocorrido em um escritório de advocacia de confiança de ambos os grupos, onde estratégias teriam sido traçadas. É daquelas histórias de difícil comprovação e fácil negativa.
Fato é que a estratégia parece hoje perceptível em diversas torcidas disfarçadas.
Elas surgem em entrevistas, comentários e redes sociais com uma pergunta quase obrigatória aos pré-candidatos : “Quem estará no segundo turno?”. O time de Lula e o time de Bolsonaro respondem de forma uníssona, como em uma jogada ensaiada: Cadu e Álvaro; Álvaro e Cadu.
Percebe-se com clareza que, muito além dos fatos e das probabilidades, existe o desejo de que a polarização nacional se reproduza no cenário estadual, como se não houvesse outras variáveis capazes de influenciar a disputa.
Afinal, por que Álvaro Dias (PL) deseja tanto enfrentar Cadu Xavier (PT) e Cadu deseja enfrentar Álvaro, excluindo do embate o ex-prefeito de Mossoró? Ele, que é apontado por aliados e adversários como um fenômeno das redes sociais, gestor bem avaliado e político sem vinculação direta ao lulismo ou ao bolsonarismo.
Nas mesmas conversas, surge uma comparação reiterada com a eleição municipal de Natal. O exemplo mais citado é o do ex-prefeito Carlos Eduardo, favorito nas pesquisas durante boa parte da campanha, mas que acabou ficando fora do segundo turno, contrariando previsões e levantamentos divulgados ao longo do pleito de 2024.
A diferença, porém, é significativa.
Ao contrário de Carlos Eduardo, Allyson Bezerra tende a contar com maior tempo de televisão, além do apoio de partidos com forte capilaridade eleitoral, como União Brasil, PP, PSD e Republicanos. Carlos Eduardo, por sua vez, enfrentou a campanha com menor tempo de TV e um palanque bem mais restrito.
Outra aposta dos times de Lula e Bolsonaro seria a possibilidade de novos desdobramentos da operação da Polícia Federal que teve como alvo a Prefeitura de Mossoró no início do ano. O desejo por esse cenário parece tão evidente que parte da mídia alinhada a essa expectativa chegou a alimentar especulações sem fundamento, associando a presença rotineira de veículos da Polícia Rodoviária Federal durante o Mossoró Cidade Junina à suposta preparação de novas operações.
Seria uma espécie de WO buscado pelos dois times?
Mas isso significaria apostar exclusivamente no imponderável, no apito amigo ou na ajuda de bandeirinhas de plantão. Risco elevado para uma disputa tão importante.
Enquanto os olhos do mundo se voltam para mais uma Copa, repleta de técnicos, comentaristas e especialistas em estratégias de campo, vale lembrar uma das máximas mais repetidas do futebol:” time que quer ser campeão não escolhe adversário.”
Os times de Lula e Bolsonaro do RN parecem pensar diferente. Antes de discutir o próprio jogo, dedicam boa parte da energia a definir quem deveria estar do outro lado do campo.
O problema é que eleição, assim como futebol, costuma reservar surpresas para quem acredita que o resultado pode ser combinado antes do apito inicial.

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