
A nova política, que prometia renovar práticas e costumes, vai produzindo no Rio Grande do Norte exemplos cada vez mais parecidos com os velhos vícios que dizia combater. Na pré-campanha de 2026, o espetáculo mais recente lembra um autêntico balaio de gatos: muito barulho, arranhões para todos os lados e nenhum sinal de construção coletiva.
Primeiro foi a deputada federal Carla Dickson, que decidiu lavar a roupa suja do PL em uma entrevista de rádio em Mossoró. Sem meias-palavras, acusou a correligionária Nina Souza de ter utilizado a força da máquina da Prefeitura de Natal em sua eleição para a Câmara Federal. No dia seguinte, pediu desculpas públicas.
Agora é a vez do pré-candidato a deputado federal Kelps Lima transformar as redes sociais em palco para ataques aos próprios companheiros de União Brasil. O alvo formal é a performance da bancada federal do Rio Grande do Norte.
O motivo real, porém, parece bem mais específico: a insatisfação com promessas de apoio que não teriam se concretizado.
O deputado Benes Leocádio (UB) enfrentou o tema sem rodeios ao afirmar que lideranças municipais simplesmente não aceitaram a indicação de apoio e que não havia como impor uma decisão de cima para baixo. Em outras palavras, uma divergência política comum acabou convertida em munição pública contra aliados do próprio partido.
A confusão não começou agora.
Ela acompanha Kelps desde a janela partidária, quando o pré-candidato transitou por diferentes legendas e campos políticos — do PCdoB ao PT, passando pelo MDB até desembarcar no União Brasil — sempre em busca da equação eleitoral mais favorável ao seu projeto político.
Mais recentemente, surgiu em vídeos e eventos ao lado da pré-candidata Nina Souza, do PL, em uma parceria que produz efeitos contraditórios para o grupo ao qual pertence. Afinal, em eleições proporcionais, cada voto destinado a uma nominata fortalece uma chapa e enfraquece as concorrentes.
É justamente aí que a imagem do balaio de gatos se encaixa…
Cada gato busca seu lugar, sua sobrevivência e sua vantagem imediata. O resultado raramente é harmonia.
No balaio das nominatas, reúnem pré-candidatos sem identidade programática comum, sem afinidades ideológicas claras e, muitas vezes, sem qualquer compromisso coletivo além da própria eleição. Compartilham o mesmo balaio porque precisam compartilhar o mesmo espaço eleitoral. Mas, como os gatos da metáfora popular, seguem preocupados principalmente em preservar seus territórios, seus mandatos e suas zonas de conforto.
Quando a disputa interna se torna mais importante do que o projeto partidário, o balaio deixa de ser apenas uma figura de linguagem. Passa a ser uma descrição bastante precisa da realidade.

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