Os números das eleições de 2018 para o Senado no Rio Grande do Norte tiveram o fenômeno do ‘voto incompleto’. Um levantamento detalhado dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que, na última eleição com dois votos para o Senado, a maioria absoluta dos potiguares que foram às urnas, exatos 51,37%, não utilizou o direito de escolher dois representantes para Brasília.
Ao compararmos com o pleito de 2010, quando as mesmas duas cadeiras estavam em disputa, o contraste é brutal: saímos de uma era de engajamento quase total para um cenário onde o “Voto Nulo” tornou-se uma força política maior do que os próprios eleitos.
Em 2018, o Rio Grande do Norte possuía 2.372.548 eleitores. Destes, 1.966.450 compareceram para votar. Como cada eleitor tinha direito a dois votos para o Senado, o potencial era de 3,93 milhões de sufrágios. No entanto, a soma de brancos e nulos atingiu a marca histórica de 1.010.079.
Os votos nulos (745.686) perderam para o primeiro colocado, Capitão Styvenson (745.827), por uma diferença ínfima de apenas 141 votos. Já Zenaide Maia (660.315): A segunda senadora eleita recebeu 85.371 votos a menos do que o total de votos anulados no estado.
O Contraste Histórico: 2010 vs. 2018
Para entender a magnitude do fenômeno, basta olhar para oito anos antes. Em 2010, o eleitorado potiguar foi às urnas com um comportamento radicalmente diferente. Com 1.877.681 votantes, os brancos e nulos somaram apenas 155.563 — uma fração mínima perto do milhão registrado em 2018.
| Candidato / Categoria | Votos em 2010 | Candidato / Categoria | Votos em 2018 |
| Garibaldi Filho | 1.042.272 | Capitão Styvenson | 745.827 |
| José Agripino | 958.891 | Zenaide Maia | 660.315 |
| Wilma de Faria | 651.358 | Geraldo Melo | 382.249 |
| Brancos + Nulos | 155.563 | Brancos + Nulos | 1.010.079 |
Enquanto em 2010 os dois eleitos ultrapassaram (ou chegaram perto) da marca de 1 milhão de votos, em 2018 nenhum candidato atingiu esse patamar. Na verdade, quem ocupou esse espaço foi o desperdício de votos.
Por que o eleitor “desistiu” do segundo voto?
A alta taxa de anulação (18,96%) e de brancos (6,72%) em 2018 foi um sintoma de voto seletivo enquanto que em 2010, Agripino e Garibaldi trabalharam a ideia de “voto casado”, o que não aconteceu em 2018 quando Styvenson saiu em uma chapa pequena, a base governista da época só lançou Geraldo Melo e o lulismo priorizou o nome de Zenaide.
Em 2018, milhares de eleitores escolheram um nome para representar a “renovação” e, ao não encontrarem uma segunda opção que os agradasse, optaram por anular o segundo voto ou simplesmente digitar qualquer tecla para encerrar a votação.
O dado final é um alerta para as estratégias partidárias: em 2018, 51,37% dos eleitores presentes não votaram em dois nomes. O recado foi claro: o eleitor preferiu “anular a metade de sua cidadania” a endossar candidatos que não refletiam seu desejo de mudança.
Com o ciclo de duas vagas se aproximando novamente em 2026, o desafio dos partidos será convencer o eleitor potiguar a ocupar, novamente, as duas cadeiras que lhe cabem por direito, em vez de entregá-las ao vazio estatístico do voto nulo.


0 Comentários