
Uma carta publicada há pouco nas redes sociais da governadora Fátima Bezerra confirmou o que já circulava nos bastidores: o projeto de disputar novamente o Senado, com a renúncia nos meses finais do mandato, foi inviabilizado. E tem recados com endereço certo.
Sem rodeios, a própria governadora deixa claro que a decisão passou diretamente pelo vice Walter Alves, que optou por não assumir o governo e, assim, interrompeu o arranjo político necessário para viabilizar a candidatura. Ao indicar que houve quebra de compromisso firmado em 2022, Fátima transfere de forma explícita a responsabilidade pelo desfecho.
Logo no primeiro parágrafo, o tom já é de recado: ao diferenciar “mulheres e homens” de “meninos”, a governadora estabelece uma linha clara entre responsabilidade pública e interesses pessoais. Ao longo da carta, reforça a crítica a quem coloca projetos individuais acima da missão confiada pelo povo — uma referência direta ao movimento do vice.
Sem citar nomes de forma repetida, o texto constrói a narrativa de que houve uma escolha política que contrariou um acordo e atendeu a pressões externas, mencionando inclusive interesses de uma “velha elite” incomodada com o atual projeto de poder no estado.
Fátima também resgata o cenário crítico herdado da gestão de Robinson Faria, lembrando salários atrasados, crises no sistema prisional e dificuldades estruturais, para reforçar o argumento de que não poderia deixar o cargo diante do risco de retrocessos.
Ao mesmo tempo, reafirma compromissos administrativos e políticos: mantém o apoio ao nome de Cadu Xavier para o governo e sinaliza que o PT ainda definirá seu candidato ao Senado.
A frase sobre “muitas sementes e Fátimas” indica que a disputa segue aberta dentro do campo governista.
Sem a possibilidade de uma eleição indireta, o jogo se desloca agora para as articulações partidárias, formação de nominatas e alianças que vão definir o cenário de outubro, tanto no plano estadual quanto nacional.
Ao final, a mensagem é clara: Fátima fica, mas não por falta de projeto político — e sim porque esse projeto foi interrompido por uma decisão externa ao seu controle.
E faz questão de avisar: o jogo continua. Com apoio reafirmado a Cadu Xavier, e com o PT ainda na disputa pelo Senado, a governadora sinaliza que o episódio não encerra a batalha — apenas redefine o campo.
Segue a carata na integra :
O que distingue mulheres e homens dos meninos é a maturidade, a seriedade, a ética e o compromisso público. Nunca me guiei por oportunismo ou interesse próprio. Minha vida sempre esteve a serviço de melhorar a vida do povo e para isso trabalhei como deputada estadual, deputada federal, senadora e governadora.
Não há cargo no senado que valha minha coerência, meus valores, minha honradez e meu compromisso com o Rio Grande do Norte.
Os mais de um milhão de votos que recebemos quando fui reeleita governadora serão honrados por mim até o último dia de mandato. A coragem e, repito, o compromisso, em primeiro lugar com o povo potiguar, me mandam agora ficar e garantir a construção do hospital metropolitano, a duplicação da BR 304, a concretização das obras da transposição do Rio São Francisco. Evitar qualquer retrocesso e garantir novas conquistas.
Eu jamais esquecerei como peguei o Rio Grande do Norte: servidores sem salários, fugas e rebeliões nos presídios, policiais dependendo de doação de cestas básicas. Esse foi o Estado que herdamos e para o qual não temos o direito de retroceder. O RN hoje não deve aos servidores, tem estradas recuperadas, segurança reconhecida e valorizada.
Hoje, no RN, temos o dobro de escolas em tempo integral e profissionalizantes, inclusive uma rede de novos IERNs – O IF potiguar; temos saúde em todas as regiões do estado, dispensando os deslocamentos para Natal para exames e cirurgias; temos novas delegacias da mulher, mulheres sem barreiras para entrar na PM, patrulha Maria da Penha ampliada e um combate firme ao feminicídio.
Temos outro estado, meu querido povo potiguar.
E eu tenho um amor imenso por essa terra, por nossa gente, por cada cantinho desse Rio Grande que passou a ter Norte, esperança e um futuro promissor. Esse amor me faz ficar, numa decisão que não é pequena nem qualquer. Não ter vaidade nos ajuda a ter sobriedade mesmo frente às injustiças.
Para viabilizar a candidatura ao Senado, era necessário que o vice assumisse o governo, mas ele rompeu o compromisso firmado em 2022, atendendo a interesses de uma velha elite que nunca aceitou um RN governado pelo povo. São escolhas e motivações que o tempo há de esclarecer e que o impediram de assumir a tarefa mais honrosa que um cidadão pode ter: governar o Estado.
Um movimento articulado para tirar o PT do Senado.
Não vão conseguir. Ao longo desses anos, muitas Fátimas se forjaram na luta política e social e seguirão ocupando, cada vez mais, os espaços de poder. Eles tentaram nos enterrar, mas não sabiam que éramos sementes. O RN vai florescer com Cadu governador, com o PT no senado, ao lado dos aliados do campo popular e democrático, e com Luis Inácio Lula da Silva presidente!
Fátima Bezerra
Natal, 17 de março de 2026.

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