Documentos da Operação Mederi, obtidos com exclusividade pelo Blog do Dina, revelam o passo a passo da Polícia Federal para chegar à identidade da misteriosa “Fátima”, citada em escutas ambientais como destinatária de 10% das propinas no esquema de corrupção na saúde de Mossoró. Nossa reportagem reconstrói a trilha seguida pelos investigadores — que começa em conversas cifradas, passa por uma referência a um show do Mossoró Cidade Junina e termina em uma servidora comissionada da prefeitura.
De acordo com documentos da Operação Mederi, obtidos pelo Blog do Dina, a Polícia Federal segue uma trilha de evidências para identificar quem é a misteriosa “Fátima”, apontada em diálogos interceptados como beneficiária de 10% das propinas em um esquema de corrupção na saúde de Mossoró. Os autos revelam como os investigadores, a partir de conversas cifradas captadas por escuta ambiental no escritório da empresa DISMED, foram afunilando as suspeitas até chegar a uma servidora da prefeitura.
A “Matemática de Mossoró”
Tudo começa com o que os próprios investigados chamaram de “Matemática de Mossoró”. Em uma escuta ambiental instalada no escritório da DISMED Distribuidora de Medicamentos, o sócio Oseas Monthalggan explica ao funcionário Raimundo Wandecy, codinome “Nenen”, como funcionava a divisão de valores nos contratos com a Prefeitura de Mossoró.
Segundo a PF, Oseas detalhou que, de uma contratação de R$ 500 mil, metade era entregue em mercadoria a preço de custo. Da outra metade, 25% era destinado ao pagamento de propinas. Nesse primeiro diálogo, porém, os nomes dos beneficiários não foram pronunciados. Os investigados usaram expressões genéricas:
“Quinze do homem e dez disso aí, vezes vinte e cinco por cento”, disse Oseas.
A PF registrou que, naquele momento, não foi possível identificar quem seriam os beneficiários. “O homem” e “disso aí” eram os únicos termos usados para se referir aos destinatários dos 15% e dos 10%, respectivamente.
O Momento em que o Nome Aparece
A virada veio minutos depois, em outro arquivo de áudio e vídeo captado no mesmo dia. Desta vez, Oseas conversa com o sócio Moabe e detalha novamente o esquema, agora com uma diferença crucial: ele diz os nomes.
Ao explicar a Moabe como funcionava a partilha, Oseas faz a conta em voz alta:
“Dos cento e trinta nós temos que pagar cem mil a ALLYSON e a FÁTIMA, que é dez por cento (10%) de FÁTIMA e quinze por cento (15%) de ALLYSSON. Só ficou trinta mil pra a empresa!”


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