
247 – A Acadêmicos de Niterói desfilou na noite de domingo, 15 de fevereiro de 2026, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, com um enredo dedicado à vida e à trajetória política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O presidente acompanhou a apresentação do camarote da prefeitura e, em um breve momento, desceu até a pista para beijar o pavilhão da escola carregado pela porta-bandeira.
A homenagem, além de mobilizar o público na avenida, acendeu uma disputa política em Brasília sobre limites entre celebração cultural e instrumentalização eleitoral.
Lula na Sapucaí e os símbolos da homenagem
O desfile de uma escola ligada a Niterói, na Região Metropolitana do Rio, transformou a Sapucaí em palco de uma narrativa sobre a trajetória do petista, em um momento em que a presença do presidente no Carnaval ganhou leitura política inevitável. No camarote da prefeitura, Lula assistiu de perto ao enredo e teve participação pontual ao descer para a pista e demonstrar afeto pelo pavilhão da agremiação.
O gesto, apesar de breve, concentrou a atenção de fotógrafos e do noticiário, porque reforça o caráter de protagonismo do homenageado e, ao mesmo tempo, potencializa críticas de adversários que buscam enquadrar o episódio como publicidade política. O impacto público, porém, não se limitou à figura do presidente: a própria narrativa da escola incluiu referências diretas a personagens do embate institucional brasileiro recente.
Bolsonaro, Temer e Moraes como personagens do desfile
O desfile contou em diferentes momentos com referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro, adversário político de Lula. Bolsonaro teria sido retratado como palhaço na comissão de frente e como presidiário em um dos carros alegóricos. Além disso, outras figuras públicas também teriam sido representadas no sambódromo, como o ex-presidente Michel Temer e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
A presença desses personagens no conjunto alegórico dá a medida do quanto o Carnaval, historicamente marcado por crítica social e sátira política, volta a funcionar como arena de disputa simbólica. Ao inserir figuras do noticiário político e institucional no desfile, a escola amplia o alcance do enredo para além do tributo biográfico, aproximando a apresentação de uma leitura sobre conflitos recentes do país.
Essa escolha, por sua natureza, tende a alimentar reações cruzadas: de um lado, quem vê no desfile uma expressão legítima da liberdade artística e da tradição carnavalesca de comentário político; de outro, quem tenta enquadrar a homenagem como peça de promoção indevida, sobretudo por envolver um presidente em exercício e um evento de grande visibilidade.

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