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A tese de que o Rio Grande do Norte estaria “à deriva” porque a governadora Fátima Bezerra pode deixar o cargo para disputar o Senado e o vice Walter Alves não pretende assumir ignora fatos objetivos. Não há vínculo entre eleição indireta e crise administrativa ou fiscal. Trata-se de um desdobramento político, não de uma falência da máquina pública.
O RN de hoje é muito diferente do passado recente. O Estado saiu de um cenário de atraso salarial, colapso financeiro e instabilidade fiscal, em que, por exemplo, Rogério Marinho participava do governo Rosalba como secretário de desenvolvimento e outros tanto da gestão Robinson Faria, para um quadro de folha em dia, previsibilidade orçamentária, equilíbrio das contas e maior capacidade de planejamento. A arrecadação cresceu, o controle fiscal se consolidou e a gestão passou a operar dentro de parâmetros de normalidade institucional. Esses indicadores não se alteram porque haverá mudança no titular do cargo ou uma eleição indireta prevista na Constituição.
A eventual eleição indireta, portanto, não nasce de desorganização administrativa, mas de um arranjo de forças políticas diante do calendário eleitoral de 2026. O Estado segue funcionando com orçamento aprovado, contratos vigentes, servidores de carreira e regras fiscais claras. Governos não dependem de voluntarismo individual, mas de instituições — e estas permanecem operando.
Confundir cálculo político com crise de gestão é distorcer a realidade. O debate legítimo é sobre conveniência e estratégia eleitoral. Transformá-lo em narrativa de “Estado à deriva” ignora os bons indicadores econômicos e fiscais atuais em relação ao passado e serve mais ao discurso político do que à análise dos fatos.
O Potiguar*

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