19/03/2018
07:31

JOSIAS DE SOUZA

Das várias maneiras para um governo atingir o desastre, o populismo é a mais traiçoeira, a falta de planejamento é a mais segura e a ausência de dinheiro é a mais rápida. Na intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, Michel Temer conseguiu unificar os três flagelos. Há um mês, vendeu a ilusão de que derrotaria o crime organizado armado apenas de um plano feito em cima do joelho. Neste domingo, após reunião do presidente com um grupo de ministros, o governo informou que precisa de mais uma semana para dizer quanto vai gastar e de onde vai tirar o dinheiro.

Na semana passada, abalroado pela notícia sobre o duplo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, Temer declarou que os criminosos “não destruirão o nosso futuro; nós destruiremos o banditismo antes.” Alguém que, mergulhado no insolúvel, continua a dizer coisas definitivas sem definir as coisas ou é um cínico ou é um desesperado. E em nenhum dos casos é um presidente à altura do drama da segurança pública. Temer age como se considerasse que a fantasia é uma opção preferível ao caos —ou ao Pezão, que muitos acham que é a mesma coisa.

 

Publicado por: Chico Gregorio

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