
A direita brasileira vive sua pior especialidade: autossabotagem. Enquanto o PT avança com organização, disciplina e foco eleitoral, o campo oposicionista insiste em brigar consigo mesmo, repetir erros e agir como se vitória fosse obra do acaso.
No Rio Grande do Norte, o cenário chega a ser engraçado. O que deveria ser construção coletiva virou disputa de vaidade. O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, age como se fosse o centro do tabuleiro, criando atritos, dividindo aliados e dificultando qualquer composição mínima. Em vez de somar, fragmenta. Em vez de unir, desune. O resultado é um campo político esfarelado antes mesmo da largada eleitoral.
No plano nacional, a indicação de Flávio Bolsonaro foi empurrada goela abaixo de parte da direita, sem debate interno, sem articulação e sem preparo estratégico. Uma decisão tomada muito mais por fidelidade automática ao ex-presidente Jair Bolsonaro do que por avaliação real de viabilidade eleitoral. Isso não é estratégia; é impulso.
O PT, por outro lado, faz o que sempre fez: disputa internamente, mas fecha questão quando percebe oportunidade. Enquanto a direita se devora, a esquerda se posiciona, calcula, articula e capitaliza.
A verdade incômoda é que a direita não perde para o PT — perde para si mesma. Falta maturidade política, falta coordenação, falta capacidade de abrir mão de protagonismos pessoais em nome de um projeto comum. Assim, fica fácil para o adversário.
Se continuar desse jeito, o PT nem precisará fazer esforço: a direita fará o serviço sozinha.
Robson Pires*

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