
Miguel do Rosário*
A videochamada entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na manhã de 6 de outubro de 2025, representa o último prego no caixão do bolsonarismo. Foi Trump quem ligou para Lula, detalhe que o brasileiro fez questão de registrar. Conversaram por 30 minutos, acompanhados por Fernando Haddad, Mauro Vieira, Celso Amorim e Geraldo Alckmin. Segundo apuração de Mônica Bergamo, Trump disse a Lula que o encontro com ele “foi a única coisa boa que aconteceu na ONU”.
A declaração reforça uma química que, na realidade, é o esforço de Trump para sair da armadilha que ele próprio criou ao ouvir um bando de fracassados e golpistas como Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. Agora negocia com quem tem bala na agulha: o presidente Lula e o empresariado brasileiro. Lula foi direto: pediu o fim da sobretaxa de 40% sobre produtos brasileiros e a retirada das sanções contra autoridades do país. Trump designou o Secretário de Estado Marco Rubio para negociar. Trocaram telefones pessoais. Acordaram se encontrar em breve. Checkmate diplomático.
Enquanto Lula articulava em alto nível, a família Bolsonaro assistia sua irrelevância ser decretada em tempo real. Eduardo Bolsonaro, que se vendia como o único canal com Trump, foi atropelado. Sua postagem desesperada prometendo não deixar que seu pai fosse tratado como “uma carniça política a ser rapinada por abutres” soa patética diante dos fatos. Carlos Andreazza, colunista do UOL, disse em sua análise de hoje de manhã, dissecando a fratura exposta: a direita brasileira está em guerra civil.
De um lado, Ciro Nogueira e o Centrão pragmático já trabalham com a inelegibilidade de Jair Bolsonaro como fato consumado, buscando nomes “viáveis” como Tarcísio de Freitas ou Ratinho Júnior para 2026. Do outro, Eduardo e sua tropa de choque recusam qualquer alternativa que não represente a pureza ideológica do movimento.

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