21/09/2025
07:28

Foto: reprodução

Por Jessé Souza*

Nikolas Ferreira, depois da associação de seu nome ao PCC, no episódio que ficou conhecido como “imposto do pix”, quando ele defendeu interesses da organização criminosa em um post alavancado com muito dinheiro chegando a 200 milhões de visualizações, decidiu dobrar a aposta.

Agora ele conclama empresários a uma cruzada nacional contra os “extremistas de esquerda” vendo inimigos imaginários por todo canto. Nikolas é, na verdade, um produto típico da extrema direita mundial na medida em que a completa ausência de um projeto político coletivo é disfarçada ao se criar um clima artificial de ódio contra adversários de ocasião.

A diferença entre indignação e ódio é que o primeiro é uma revolta contra uma situação indigna, percebida nas suas causas políticas as quais são quase sempre impessoais. Mas a percepção de lógicas impessoais é um nível de abstração que não existe mais na internet. O ressentimento traduzido em ódio, por sua vez, não precisa de elaboração racional. Ele tem muito mais efeito e menos trabalho se ele conseguir simplesmente mimetizar e teatralizar a raiva de pessoas em relação a situações impessoais, que elas não compreendem enquanto tais, e fazer o ódio recair em “pessoas” escolhidas a dedo entre os seus inimigos.

A necessidade de canalizar a um objeto externo a agressividade, que, de outro modo teria que ser dirigida contra si próprio, como culpado pelo próprio fracasso, é vital em um contexto de desinformação. A dialética da radicalização se retroalimenta. É deste tipo de manipulação da vulnerabilidade alheia que gente como Nikolas vive.

 

Publicado por: Chico Gregorio

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