19/07/2025
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Allyson segue conselhos de Agripino (Foto: reprodução)Bruno Barreto*

Allyson Bezerra (UB) não veio do nada como muitos pensam. Ele é sobrinho do ex-vereador Manoel Bezerra e já tinha passado pela assessoria da ex-vereadora Maria das Malhas.

O discurso contra as oligarquias já virou meme, mas o que vem por aí é preocupante.

Ao longo os últimos anos, Allyson foi deixando o constrangimento de lado e cada vez explicitando as relações próximas com o ex-senador José Agripino Maia, presidente estadual do União Brasil.

Agripino é o seu mentor político.

Mas quem é o ex-senador? Perguntaria alguém mais jovem que lê esse texto.

Agripino é até hoje o mais jovem governador do Rio Grande do Norte (tinha 37 anos quando foi eleito em 1982), mas antes de chegar a este cargo ele foi nomeado prefeito de Natal em 1979.

Sim, nomeado.

Agripino foi forjado politicamente na ditadura militar que fez o pai dele, Tarcísio Maia, governador em 1974 e o primo, Lavoisier Maia, o seu sucessor em 1978.

Os governadores eram escolhidos em eleição indireta na Assembleia Legislativa, que era apenas uma formalidade. O nome vinha indicado pelo ditador de plantão.

E os prefeitos das capitais eram nomeados pelos governadores. Foi assim que Agripino estreou na política em 1979.

Depois, em 1982, foi eleito governador numa eleição controversa por causa do voto vinculado, que prejudicou o ex-governador Aluízio Alves, seu principal adversário.

Ao longo da carreira política, Agripino se envolveu em vários escândalos como o do “rabo de palha” (1985) em que apareceu numa gravação orientando prefeitos a comprar títulos eleitorais, distribuir presentes, incentivar tumultos nos processos de votação e apuração e, ainda, usa veículos oficiais com placas frias para transportar eleitores do interior para a capital.

“Não podemos deixar rabo de palha”, falou ao encerrar a conversa em que tratava da eleição de 1985, a primeira em Natal após a ditadura.

Ao voltar ao Governo do Estado após vencer a eleição em 1990, ele se meteu no escândalo do “Ganhe Já”, uma bet de sorteios de prêmios por meio de cupons fiscais que teria virado um sangradouro de dinheiro público para a Agência Dumbo Publicidade.

O segundo mandato foi marcado pelo arrocho fiscal e atrasos salariais.

Agripino foi senador por quatro mandatos e nos dois últimos se destacou por combater o presidente Lula e a ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Como padrinho político ele tem no currículo a prefeita mais impopular de Natal, Micarla de Sousa, e a ex-governadora Rosalba Ciarlini, outra referência de má gestão, só que a frente do executivo estadual.

Agripino já enfrentou diversas denúncias de corrupção, mas escapou da condenação na maioria delas.

Ele é a mente por trás dos sonhos de Allyson.

Publicado por: Chico Gregorio

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