29/06/2025
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Casa em que morei no Umari , zona rural de Caicó
Chorei muito quando fui embora
No alpendre da casa que morei
Agora depois de setentão
Fico lembrando de tudo que passei;
Aranhas descendo nos frexais,
morcegos na sala de dormir,
Lagartixas andando na parede e o gado badalando no curral
Agora ,
Levaram tudo dos currais ,
Nem um pau de porteira eu encontrei,
Apenas um pedaço estava lá com meu nome que eu mesmo coloquei .
Quase morro chorando de saudades
No alpendre da casa que morei
Cabisbaixo sozinho eu me lembrava ,
Das antigas debulhas de feijão ,
Das novelas ouvidas pelo rádio
E as brincadeiras rolando pelo chão,
Dos conselhos que minha mãe me dava e das chuvas com vento e trovão.
As estórias, do outro tempo ,do meu Vô ,
A escola que mais eu frequentei,
Os banhos de cacimba que tomava
E os passarinhos, coitados, que matei !
Se saudades matasse eu tava morto
No alpendre da casa que eu morei
Um estilhaço do corte da biqueira
Os pedaços do lado de uma cela
Uma cinta quebrada sem fivela
Enxada velha, chibanca e roçadeira
Vendo aquilo senti uma tonteira
Na parede pendida me agarrei
Recordando meus tempos de criança
No alpendre da casa que morei
No alpendre da casa que eu vivia
Me lembrei dos meus manos e dos meus pais ,
Dos açudes , do rio cheio e dos cocais, dos barreiros lamacentos que eu nadei
Recordando meus tempos de criança
No alpendre da casa que morei
As estradinhas construídas pelo mato,
os carrinhos de madeira feito a mão,
os arremessos de bala de torrão, das lamparinas e os cachorros pelo chão !
Das fogueiras e das brigas de criança,
Das subidas em árvores com as mãos,
tudo isso eu me lembro com orgulho e com saudade da casa onde morei
Onde havia forró e cantorias
Onde muitos amigos arrumei
Hoje está triste abandonado e esquecido
Que ao lembrá-los confesso que chorei
Recordando meus tempos de criança
No alpendre da casa que morei

Publicado por: Chico Gregorio

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