09/09/2020
06:57

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) disse considerar a punição de Deltan Dallagnol pelo CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) nesta terça-feira (8) como a “primeira vez que alguém consegue provar a utilização política e eleitoral do Ministério Público”.

“[A punição] tem um significado importante: é o primeiro passo para responsabilização civil do Dallagnol por danos cometidos. Passa uma mensagem clara ao Ministério Público Federal que ele não pode continuar abusando”, disse em entrevista à CNN.

Foi Calheiros quem entrou com representação no CNMP, acusando o procurador de ter influenciado a eleição para a presidência do Senado —na qual perdeu para Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“O meu caso foi repetição do que aconteceu na eleição nacional. Ele postou vídeo, fez campanha, defendeu candidaturas alternativas. Ele não tentou influir, ele influiu decisivamente na eleição para o Senado Federal”, declarou.

O senador disse ainda que, ao se afastar da Lava Jato, Dallagnol teria tentado “sair de fininho”. “Ele tentou sair de fininho, sem ser percebido, alegando problema familiar. Não é verdade, o que essa gente fez no sentido do abuso precisa ser punido e punido exemplarmente”, afirmou.

Deltan Dallagnol saiu da força-tarefa em 1º de setembro, dizendo que o único motivo era a saúde de sua filha de um ano e 10 meses.

O ex-ministro, no entanto, diz não ser contra a existência da operação. “Defendi sempre a Lava Jato, acho que ela deixa contribuições importantes para a sociedade, mas não defendo os excessos, abusos. No meu caso, entraram com pedidos de investigação para me tornar ‘multi-investigado’ e criminalizar a minha imagem”, disse.

Ele afirmou que não acredita que haverá uma eleição em que a política foi tão criminalizada quando em 2018. “Qualquer pessoa de bom senso no Brasil sabia que os excessos da Lava Jato teriam fim, a decisão de hoje é importante porque chegou uma trava para impedir esses abusos.”

CNN BRASIL

Publicado por: Chico Gregorio

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