15/04/2020
07:35

Quando começaram a circular as primeiras informações sobre o coronavírus, a pandemia foi tratada como uma força igualitária. Disseram que um vírus —algo feito de uma simples cápsula de proteína— não discrimina de acordo com a cor ou a classe social de ninguém. O governador de Nova York, Andrew Cuomo, chegou a falar que o coronavírus era um “grande equalizador”.

As estatísticas que começam a circular nos Estados Unidos, no entanto, mostram que o coronavírus não é tão democrático assim. Minorias estão mais vulneráveis. As comunidades negras e de baixa renda, assim como os latinos, concentram casos e mortes de maneira desproporcional.

É a situação em Nova York, o epicentro do vírus nos Estados Unidos. Um dos distritos mais afetados ali é o Bronx, que tem a maior porcentagem de população negra e a menor renda da cidade. Nessa região, o vírus ataca de forma desproporcional: o bairro concentra 17% das pessoas de Nova York, mas tem 23% dos mortos.

Esse levantamento foi feito antes de a cidade atualizar as suas estatísticas, adicionando 3.700 mortos à conta na terça-feira (14).

A disparidade se repete em toda a cidade, onde os negros são 22% da população e 28% dos mortos. No estado de Nova York, excluindo a cidade, são 9% da população e 17% dos mortos.

O cenário é o mesmo para os poucos estados que começaram a divulgar as suas estatísticas na semana passada. De norte a sul, os negros morrem mais. Eles são apenas 14% da população do estado de Michigan, mas têm 40% das mortes. Em Louisiana, a disparidade é mais gritante: afro-americanos compõem 32% da população —mas chegam a 70% do total de mortos.

​Ainda não há estatísticas nacionais, o que impede uma visão mais ampla dessas disparidades. Os poucos dados disponíveis são incompletos, sem informacão de cor para todas as mortes. É difícil, também, separar as causas econômicas das raciais, que agem em conluio nesta pandemia.

FOLHAPRESS

Publicado por: Chico Gregorio

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