24/01/2018
18:59

Lula, durante ato em seu apoio no Sindicato dos Metalúrgicos, no ABC paulista

Guilherme Azevedo

Do UOL, em São Paulo

condenação em segunda instância do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta quarta-feira (24), pode aprofundar ainda mais o quadro de divergência política no Brasil, embora seu impacto na eleição presidencial seja ainda impreciso. Essa á a opinião do cientista político Fábio Wanderley Reis, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

“Poderemos observar a intensificação do quadro de tumulto e polarização e enfrentamento político”, avaliou. “Mas o impacto eleitoral da decisão é ainda incerto.”

Segundo o professor, Lula e o PT devem explorar ainda mais intensivamente o que chamam de perseguição política ao seu maior líder, numa manobra jurídica com vistas a tirá-lo da disputa das eleições presidenciais de outubro próximo.

“Essa intensificação da mobilização, da militância poderá, ao fim, até ser bem-sucedida.”

“É mais fácil alguém com as raízes do Lula ser condenado”

Para Reis, há motivo para Lula e o PT se sentirem perseguidos. “Do ponto de vista judicial, [o processo] é muito problemático. É muito fácil ligar a condenação a aspectos sociológicos.”

O cientista político frisa que a Justiça brasileira tem um histórico de decisões de caráter elitista, preservando seus pares e punindo pessoas de origem popular, como a de Lula, aponta.

“Condena-se à prisão um ex-presidente pela primeira vez no Brasil e, não por acaso, de origem popular. Isso não é irrelevante no quadro social, dada a desigualdade que existe no Brasil. É mais fácil alguém com as raízes do Lula ser condenado.”

Publicado por: Chico Gregorio

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